Não estamos no mês de homenagens ou o dia do professor, mas escolas e professores têm que ser homenageados diariamente, tamanha é a luta que todos tem.
No passado, estudar em escolas públicas era um orgulho para os pais. Professores tinham vocação, pois a maioria dizia "quando crescer, quero ser professor" (isso os alunos), tamanho era o respeito que tínhamos pelos professores.
No início do ano saia a lista de material: caderno brochura, lápis, borracha, mata-borrão, um vidro de tinteiro, caneta Parker 21, papel-manteiga para encapar os livros, caderno, tabuada, caderno de caligrafia, régua, caixa de lápis-de-cor, lancheira, apontador, carteira de passe do ônibus para pegar na secretaria, uniforme de calça azul e camisa branca.
Cantava-se o hino toda segunda-feira. Tínhamos nota zero, trinta, quarenta, oitenta, cem. Tinha que ter “parabéns” e “comportamento ótimo”, senão tomava uns "tapão" da minha mãe. Se no comportamento não tivesse 100, tomava "tapa", não podia nem olhar de lado na classe.
Não era um aluno mil, mas também não era zero; ficava no meio, pois sempre estudei. Mas tive alguns professores que realmente foram meus grandes incentivadores e eram ótimos nos colégios que ainda existem até hoje. Teve um colégio que quiseram demolir, o Martim Francisco.
Tinha a professora Clarice, ótima, no Colégio Est. Pe. Manoel de Paiva, na Rua Barão de Jaceguai. Hoje é algum departamento da Secretaria de Educação, no Campo Belo. Esse Colégio foi dos que me marcou muito, pois era época de regime militar e o Prof. Nagib Elchemer, filósofo, ensaiava a peça “Direitos dos Homens”. Veja bem a época. Esse professor, segundo soube, foi morto, virou nome de praça na Vila Olímpia.
Tive um ótimo professor de matemática. Não gostava da matéria, mas de tanto "me encher o saco", passei a gostar também de Francês, Práticas Comerciais. Professor Carlos Eduardo, Geografia, Professor de Português, lecionava também no Colégio Arquidiocesano. Esse era o tal do "chato". Uma vez não apresentei uma redação no dia e ele me fez ir até em casa busca-la. Aprendi a amá-lo: tudo que aprendi devo a ele.
Realmente não tenho queixa de nenhum professor, aliás, tive um professor também de matemática que lecionava no Colégio Meninopólis (hoje, falido, infelizmente), isso porque eles lecionavam sempre em dois colégios e a qualidade do ensino era a mesma. Não tinha a indústria das escolas como tem hoje, enfim, Prof. Zacarias, Carlos Eduardo, Professora Lídia…. Desculpe-me alguns que não me lembro, mas podem ter a maior certeza todos estão no meu coração; até os da Faculdade Osec, pois lá cursei Educação Física, uma das poucas faculdades que tinha no passado não muito distante, fora a USP e a Fefisa.
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