Caridade e um grande susto

Nós morávamos no Jardim da Saúde, na Rua Tuiucue. Em um domingo eu acordei com o barulho de caminhões, era uma feira que estava vindo para nossa Rua. Os feirantes não estavam contentes de mudar de rua, pois o bairro era residencial e não tinha bar e nenhum lugar onde eles pudessem pegar água e usar o banheiro.<br><br>Nós tínhamos uma casa grande com um salão de festas no fundo que tinha dois banheiros mais um no quarto de hóspede e outro no quarto da empregada. O seu Juarez feirante, já era nosso amigo há anos, nos pediu para usar o banheiro e pegar água na nossa casa e disse que eles nos pagariam.<br><br>Nós não tivemos jeito de dizer não e não cobraríamos nada por esse favor, como não tinha feira às segundas-feiras eles nos davam caixas de legumes, verduras e frutas.<br><br>Resolvi fazer sopas de legumes e sobremesa para meu filho e um amigo levarem para a favela da Imigrantes, ele ia com um carro da marca Mercedes que tinha o porta mala grande. Um dia chegou um carro de policia e pediu para revistar o carro e a sopa.<br> As crianças diziam:<br>-“não prenda eles moço, eles vêm trazer comida para gente”.<br><br>Meu filho explicou que eu gostava de fazer caridade, os guardas o cumprimentaram pelos nossos atos. Meu filho e o amigo chegaram em casa tremendo e foi difícil esquecer o acontecido. <br><br><br>[email protected]