Biblioteca Mário de Andrade, o nosso tesouro

A primeira biblioteca pública de São Paulo começou a funcionar em 1926, na Rua Sete de Abril. Era uma casa adaptada e os livros não tinham um ordenamento técnico. Fazer uma pesquisa era obra de muita paciência. Quando Fábio Prado tomou posse como Prefeito de São Paulo convidou Paulo Duarte, Mário de Andrade e Rubens Borba de Morais para a Diretoria de Cultura e então uma verdadeira revolução cultural se instalou na cidade. Quase tudo o que se faz hoje em têrmos culturais Mário de Andrade já havia implantado naquela época e o projeto para uma biblioteca moderna para um milhão de livros logo saiu do papel. Para muitos era uma loucura. Compraram o terreno que fica na esquina da Av. São Luiz com a Consolação da familia Macedo Soares e iniciaram a construção em 1937. Era uma época de muita instabilidade política e por causa disso colocaram no contrato uma multa altíssima caso a PMSP interrompesse a obra. A Av. São Luiz era um verdadeiro boulevard, canteiros com muitas flores, arvores, o onibus elétrico, a Rádio América onde hoje é o Hotel Eldorado, faziam daquela região um clima europeu. Com o Estado Novo, Getúlio Vargas nomeou Prestes Maia para Prefeito e aquela seleção de intelectuais sairam do Governo da cidade (qualquer hora conto outras histórias sobre isso). A primeira coisa que o novo Prefeito fez foi examinar o projeto de construção da biblioteca que ele julgava "uma loucura daqueles meninos" e aí a obra andou a passos de tartaruga.
Rubens Borba havia estudado projetos de bibliotecas nos E.U.A. e Suiça porisso a Mário é vertical e tem o seu acervo fechado. Naquela época esse estilo se justificava como conservação do acervo. Após algumas alterações no projeto a Mário foi inaugurada em 25 de janeiro de 1942, em meio à propaganda do Estado Novo que naquele dia inaugurou o Estádio do Pacaembú, a Ponte das Bandeiras e outras, mas só veio a atender o público em março de 43 por falta de pessoal especializado. Rubens Borba havia criado em São Paulo, em convenio com a Escola de Sociologia um curso rápido de Biblioteconomia que o novo Governo extinguiu. A partir daí quantas gerações não passaram por seus salões, quanta gente boa que vemos por aí, sobressaindo-se nas suas atividades passaram por lá. Tem uma coleção invejável, valiosa e reconhecida no exterior, principalmente Raros e Artes, porém sofreu muito nesses anos todos com a falta de verbas, falta de pessoal tecnico e baixos salários. Muitas administrações confundiram cultura com lazer. Faziam programações do tipo que entra por um ouvido e daquí a pouco ninguém lembra mais em detrimento da cultura permanente que só os livros dão. Falam que a educação é a saída para uma série de desventuras da nossa população. Eu acrescento também a cultura. Aí sim: sem cultura e educação não há solução.