Há fatos que são lembrados por longos anos de nossa vida, e um deles eu me lembro com muita saudade, pois já faz muito tempo, 1960 por ai.
Hoje a cidade de São Paulo tem quase todas as suas ruas calçadas, mas naquele tempo não era bem assim.
Há 40 anos atrás eu estudava no Grupo Escolar João Vieira de Almeida, na Av.Guilherme Coaching, em Vila Maria, São Paulo.
Na época, eu morava na Rua Amadeu e para chegar à escola, andava muito. Nos dias de chuva ia com os pés descalços pela Rua Diamantina, patinando na lama.
Já ficando adolescente pensava, é claro, em agradar a algum menino da escola, procurando valorizar tudo de bom que julgava possuir em mim. Então, chegar com os sapatos sujos no colégio, nem pensar.
Assim, levava os sapatos com as meias num pacote, juntamente com um pedacinho de pano, que sobrava das costuras de minha mãe, que era costureira, para enxugar os pés, após lavá-los na Avenida, com a água da chuva que corria pelo meio fio.
Eu e minha amiga Maria Luiza, fazíamos isso com muita alegria, já vendo o resultado: pés limpos e enxutos, dentro de sapatos também limpos.
Tinha um detalhe: precisávamos chegar mais cedo, para que ninguém visse essa transformação. Na verdade, os pés ficavam muito diferentes, pois a lama espirrava entre os dedos.
Todas as vezes, com os pés já calçados, dizíamos: "Todo mundo pensa que chegamos de carro !!!". E saltitantes exibíamos nossos sapatos limpos.
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