Avenida Angélica

Todos os dias, eu subia a Consolação.

Todos os dias, feriados ou sábados eu subia a Consolação.

Depois fui morar na Rua Dona Veridiana, então eu ia a pé.

Parecia que o resto da minha vida ia fazer esse trajeto.

E, na pausa para um cafezinho ia bater um papo com meus colegas.

E, pela janela avistava o cemitério da Consolação

Aqueles túmulos cinzentos com anjos de pedra davam uma certeza da finitude da vida.

Mas um dia o banco mudou; foi para Alphaville.

Então aquela certeza de que nada é para sempre.

Depois o banco faliu e a minha vida definitivamente mudou.

Há que se ter paciência com o tempo;

Ás vezes passa rápido demais,

Outras lento, lento.

Mas passa.

Escorre por entre os dedos.

Recolhe lágrimas,

Apaga mágoas.

Faz do pobre, rico,

E do rico ocioso,

Um mendigo.