Na minha infância meus avôs faziam comentários a respeito do Matarazzo, um dia eu e meu avô conseguimos ver o patriarca da família passar com seu automóvel importado pela Rua Silva Bueno em direção ao município de São Caetano do Sul, onde havia uma grande indústria da família, meu avô chegou a dizer:
– “Olha, lá vai o Matarazzo!”
Anos mais tarde a minha sogra me contou que seus pais vieram da Itália junto com o conde Francesco, o qual, anos mais tarde, viria a construir o maior conjunto industrial da América Latina, dia 24/09/2013, a senhora Filomena Matarazzo Suplicy completa 105 anos de idade, assim achei interessante um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, de autoria da jornalista Mônica Dallari, o qual passo a transcrever:
Título: Uma Bonita História de 105 Anos – Os mais de 170 descendentes de Filomena Matarazzo Suplicy comemoram amanhã seu aniversário com certeza de que sua vida valeu muito – eis a integra do artigo de Mônica Dallari:
“Filomena Matarazzo Suplicy completa 105 anos com uma bonita trajetória de vida, que se mistura com a história de São Paulo.
Neta do Conde Francesco Matarazzo, empresário italiano criador do maior complexo industrial da América Latina, as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, Filomena nasceu na Avenida Paulista, em 1908. É filha de Amália Cintra Ferreira, uma das fundadoras da Liga das Senhoras Católicas, e do segundo filho do conde Francesco, Andrea, além de mãe do senador Eduardo Matarazzo Suplicy.
Cresceu numa época em que ser Matarazzo era sinônimo de poder e riqueza. O casamento de Amália e Andrea, em 1906, foi um dos primeiros na elite paulista entre um imigrante italiano e uma representante da aristocracia cafeeira.
Filomena teve uma educação rígida e refinada. As viagens à Europa a impediram de frequentar a escola. Ela e a irmã recebiam aulas em casa. Falava português na casa dos pais, mas era exceção. Na mansão do avô e dos tios, falava-se italiano.
Adquiriu do pai o hábito de caminhar depois do jantar pela elegante Avenida Paulista. Quem não anda desanda, ensinava Andrea. Filomena era uma das poucas pessoas com permissão para frequentar a mansão do avô Francesco. Tinha uma relação próxima com a avó Filomena, que, apesar de muito simples, vivia isolada pelo seu status social.
Anos mais tarde, quando o conde rompeu com o filho Andrea por ele ter se recusado a assinar o testamento que deixava metade dos bens para apenas um dos 13 irmãos, a neta continuou a frequentar a mansão.
Filomena era proibida de entrar na cozinha, chefiada por homens trazidos da Itália. Às quintas-feiras, na companhia dos cinco irmãos, ia de charrete ao trabalho do pai, no Moinho Matarazzo, no Brás. As crianças almoçavam macarrão ao lado de centenas de funcionários. Aos domingos, ocupavam a frisa reservada no Cine República. Depois, a família seguia para a casa da avó Cintra Ferreira, onde primos e tios tocavam modas brasileiras.
Até hoje, Filomena gosta de cantar, especialmente as músicas interpretadas pela cunhada e amiga Maysa. Nas férias, viajava para Santos, mas apreciava mesmo ir à Europa. Passava longas temporadas visitando a família Matarazzo na Itália e frequentando atividades culturais em Paris, sua cidade favorita.
Casou-se pela primeira vez aos 19 anos, após três meses de namoro. Teve o primeiro filho e, grávida do segundo, ficou viúva aos 21. Assim que soube do ocorrido, Paulo Cochrane Suplicy, um importante corretor de café, viu que chegara seu momento.
Ele havia se apaixonado por ela ainda solteira, quando a viu pela primeira vez no porto de Santos. Naquele dia, ao chegar em casa, avisou a mãe: Hoje conheci a moça com quem vou me casar. A resposta foi desoladora. Filomena era filha de conde e só se casaria com um príncipe. Aos 25 anos, ela se casou com Paulo, e tiveram nove filhos.
Seu principal legado são os valores cristãos, o exemplo de dedicação à família e o respeito a todo e qualquer ser humano.
No dia 24 de setembro, os mais de 170 descendentes comemoram o aniversário de Filomena Matarazzo Suplicy com a certeza de que a vida dela valeu muito. “(Autora: Monica Dallari – jornalista = Autora de "Cooperativa dos Vendedores do Parque do Ibirapuera”).
Tive parentes que trabalharam em uma das indústrias Matarazzo, meus dois filhos nasceram no antigo Hospital Matarazzo (se não me falha a memória esse hospital se chamava antes Humberto I) e tinha uma ala que se chamava Maternidade Filomena Matrazzo, e meus netos também, com certeza, nasceriam lá caso o Hospital tivesse sido preservado, hoje infelizmente o prédio está se deteriorando quando deveria ser tombado e fazer parte da memória desta nossa querida São Paulo, a cidade perdeu mais um pouco da sua história com o abandono daquele hospital.