Santo Amaro, seus monumentos e seus artistas. Parte 1 de 4

Santo Amaro, um “bairro cidade” que já foi município de São Paulo por um século, 1833 a 1935, tornando-se bairro por decreto em 1935 e, como tal, ainda hoje conserva ares de interior que pode se notar em algumas ruas, ainda tortuosas e estreitas, herdadas dos colonizadores portugueses, que ainda hoje predomina nessa cidade cosmopolita, onde mesmo nos bairros novos as ruas são estreitas e que depois de tudo construído seus proprietários são desapropriados para alargamento.

Também com suas casas simples de telhado feito “nas coxas” (romana antiga), telha essa feita por escravos onde moldavam a telha na coxa e cada uma saia de uma medida devido ao tamanho das pernas dos escravos.

Assim como podemos notar nos sotaques dos decanos do bairro com seu palavreado característico de uma época não tão distante e herdados por muitos.

Sua praça principal tem como símbolo maior das cidades do interior que é o coreto onde se ouvia muitas retretas com suas bandas musicais, com os músicos todos uniformizados de um azul forte e quepe também azul com detalhes em amarelo ouro, que há muito tempo está desprestigiado pelas autoridades e modernidade, ainda de vez em quando é convidada a tocarem em algum evento saudoso do bairro.

Suas músicas e retretas foram substituídas pela música nordestina e por repentistas que tomaram conta dessa região e, não obstante, cantores bolivianos espalhados nos cantos do Largo Treze de Maio divulgando sua música, sua tradição, tudo isso afugentou o sênior santamarense que ficou recluso em suas casas, também pelo perigo das ruas.

Fato esse explicável pela migração nordestina a procura de melhor condição de vida em nossa região e como prova disso foi a criação de uma das maiores casas de show e alimentos nordestina em São Paulo que foi o Patativa Santo Amaro, já fechado, rivalizando com o CTN, Centro de tradições nordestina, no bairro do Limão, onde as casas oferecem o Nordeste em São Paulo em todos os segmentos.

Esse fato da ocupação nordestina em Santo Amaro está bem descrito no livro da escritora e professora santamarense, Maria Helena Petrillo Berardi, falecida em 2012, onde o titulo diz: “Santo Amaro, memória e história do botina amarela ao chapéu de couro”, que traduz bem essa “substituição” do caipira santamarense pelo nordestino em nossas terras.

É um bairro que possui em homenagem a seu passado e sua gente vários monumentos, realizadas por artistas plásticos de Santo Amaro e que possui replica por diversas cidades de São Paulo, como: Manoel de Borba Gato de Júlio Guerra.

Continua…