Av. Paulista – Toddy e Carnaval

Nasci em São Paulo no bairro Indianópolis à Al. Tapuias, em 1928 e no mesmo ano fomos morar à Av. Dr. Arnaldo, 1532, no Sumaré, em casa que meu pai construiu e que ainda hoje existe. Tenho boa memória quanto às passagens da minha infância. Lembro-me que em 1933/34, numa tarde de domingo, meu pai nos levou à Av. Paulista para que fossemos (eu, irmã e irmão) provar Toddy, que era a novidade mais recente em São Paulo. Naquela época não haviam bares e nem lanchonetes, por isso instalaram um balcão em parte da calçada e ali preparavam e serviam o delicioso Toddy, que era procurado por muita gente.

A Av.Paulista, como hoje, era palco dos grandes acontecimentos e quem viveu durante os anos 30 e 50, deve lembrar-se do "corso" que se realizava durante o Carnaval. Ainda não eram populares os bailes em salões e a folia se restringia às ruas, especialmente na Av. Paulista. A maior parte dos automóveis daquela época eram sem capota, conversíveis, o que facilitava a alegria. O que predominava na ocasião era confete e serpentina, que de volume tão grande jogados à rua dificultavam o tráfego e os automóveis eram obrigados a parar para que os garis fizessem a limpeza. Quase todos usavam fantasias, máscaras, faces pintadas e a alegria era contagiante. Os automóveis paravam para que os foliões pudessem brincar entre si, dançando, pulando e cantando. Alguns usavam lança perfume, que naquela época servia apenas para perfumar e refrescar as pessoas.
Tudo era realizado dentro do maior respeito, mesmo porque os que participavam dessa comemoração possuíam automóvel e estes eram considerados a "elite" paulistana. A maior concentração era realizada no domingo de carnaval.
É uma pena que a juventude de hoje não possa ter idéia do que foi a vida de seus pais e avós para seguirem o exemplo, mas é a evolução dos tempos e à nós compete aceitar. Poder recordar já é uma dádiva.

SYLVIO NEVES DA ROCHA, hoje residente em Curitiba