Dezembro de 1973. Terminado o meu tempo de exército, deixei o querido 2º Batalhão de Guardas e dois desafios me esperavam: começar a trabalhar e terminar o então colegial.
O primeiro desafio, por incrível que pareça foi fácil de resolver. Já na primeira entrevista que fiz fui aprovado e fui trabalhar em uma loja da Rede Zacharias de Pneus, localizada no início da Via Anchieta, o que me possibilitava até almoçar em casa.
Mas, como em todo o comércio, o expediente se estendia após as 18h e eu já não teria mais como estudar no meu querido CESP, localizado no Parque D. Pedro. A solução foi estudar em um colégio em que alguns amigos já estavam matriculados, localizado em São João Clímaco e, por falta de opção, ali me matriculei.
Cheguei receoso da qualidade do ensino e de como seria a convivência com os novos alunos. E as surpresas foram extremamente agradáveis, haja vista a qualidade do ensino e o nível dos professores. Percebi que continuaria recebendo um ensino de ótima qualidade. Com os marmanjos foi fácil o entrosamento e logo eu estava fazendo parte dos times de basquete e handball.
O mais engraçado é que eu fui “adotado” por umas colegas de classe, que percebendo que eu era bagunceiro, começaram a me "colocar na linha" e eu, que nunca havia gostado de estudo formal, comecei a me esforçar e acompanhá-las nos estudos e, claro, minhas notas subiram. O que elas me ensinavam e me aporrinhavam com matemática, física e química, eu retribuía com os meus conhecimentos de português e francês e aquele limão tornou-se uma gostosa limonada.
Isso sem falar que me encantei com as aulas de filosofia e um novo mundo abriu-se para mim. Por incrível que pareça, nos dois anos que ali permaneci, eu que gostava de "um rabo de saia", não tive nem sequer um namorico com minhas amigas ou outras alunas, talvez, inconscientemente, pela importância que elas tiveram em minha vida e que eu não queria estragar, ou pelo fato que Deus já me havia traçado outro destino, quanto à minha futura companheira.
E as festas para angariar fundos para a formatura? Que farra que era tudo aquilo, trabalhávamos com alegria e, juntando os caraminguás, conseguimos concretizar nosso sonho e que festa que nós promovemos…!
Só sei que aqueles dois anos se passaram celeremente, que terminada aquela festa, como em um conto de fadas, tudo se dissolveu. Cada um tomou seu rumo e eu, particularmente, mudei-me de São Paulo e nunca mais vi ninguém.
Nessa semana, através do Facebook, encontrei parte da turma e, sem surpresas, descobri que não só as moças, mas também os marmanjos, tornaram-se pessoas de respeito, bem sucedidos profissionalmente e a maioria, com famílias constituídas, sendo que alguns, como eu, já são avôs! E, de uma maneira ou de outra, estou matando a saudade dessas pessoas e desse colégio que tanto representaram para mim! Porque não temos mais colégios assim?
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