Ajuda no INSS

Revendo alguns documentos antigos, encontrei formulários e protocolos da época em que fui, junto com minha mãe, dar entrada ao pedido de pensão para ela junto ao INSS, após o falecimento de meu querido paizinho. Sempre fui eu quem deu assessoria aos meus pais em qualquer situação que envolvia órgãos públicos, cartórios, repartições, advogados etc.

O posto da Previdência Social que tivemos que dar entrada com a documentação exigida ficava na Várzea do Carmo, região central de São Paulo.

Nos idos de 1990 a burocracia era enorme. Filas imensas, funcionários indolentes, reclamações do público e uma gama sem fim de problemas.

Estávamos na fila, minha mãe e eu, aguardando sermos atendidas. Coloquei minha mãe sentada em um dos bancos próximos, pois ela já estava bastante cansada de ficar em pé. Fiquei na fila. De repente, um tumulto num trecho mais atrás da fila. Correria, pedidos de ajuda, alaridos etc. Vi que tinha uma pessoa caída ao chão… Minha velha mania de me preocupar quando se trata de pessoas, principalmente as idosas, me levou a olhar mais atentamente e escutar o que falavam. O senhor, caído, foi deixado ali no chão e aquilo me incomodava sobremaneira. Saí da fila e pedi ajuda aos demais para colocarmos o homem deitado em um dos bancos que havia próximo do local, enquanto enfermeiras não chegassem para ajudá-lo. Logo passei de mera expectadora para auxiliar de socorro. Quando o pessoal da enfermagem chegou com água, abanadores e, até, um algodão embebido em amônia para despertar do desmaio o homem, eu ainda estava ali, em pé, aguardando os acontecimentos seguintes.

O homem foi se recuperando, aos poucos, e foi sendo indagado sobre o seu nome, endereço e se estava sozinho etc., estas coisas básicas que perguntam. Ele foi respondendo tudo. Soubemos que ele residia no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

O encarregado da assistência social da unidade do INSS em que estávamos veio ajudar naquilo que fosse necessário e perguntou aos presentes se havia alguém que morasse perto do senhor enfermo e que se dispusesse em levá-lo para casa, para que ele não fosse embora sozinho. Caso não houvesse ninguém, eles o levariam de ambulância. O homem disse que não precisaria da ambulância e que preferiria ir embora para casa, de ônibus mesmo.

Eu, com meu velho perfil filantrópico e preocupada com a situação daquele homem, me prontifiquei em levá-lo para casa, em meu carro, já que minha mãe morava na Vila Prudente, bairro vizinho ao dele. Porém, ele teria de me aguardar, pois que eu precisaria resolver a situação de minha mãe, ali no posto.

Logo o funcionário passou a ficha do homem para o primeiro atendimento e pegou a minha ficha também, agilizando o andamento dos protocolos para que eu pudesse levar aquele homem para casa, o quanto antes.

Fui até onde minha mãe estava e comuniquei a ela o ocorrido e logo fomos atendidos, o homem e nós.

Assim, pude levá-lo para casa, em meu carro, junto com minha mãe. Levamos o Sr. Antonio até a portaria do prédio onde ele residia, aguardei o porteiro abrir o portão e esperei até ele entrar, já acompanhado de sua esposa que veio em seu auxílio. Só depois levei minha mãe para casa, toda orgulhosa e feliz por ter o seu pedido de pensão previdenciária agilizado.

Desde aquele dia, nos tornamos amigos, o Sr. Antonio e esposa e nós, minha mãe e eu.

Penso que sempre vale a pena ajudar, seja quem for e em que situação for, quando está ao nosso alcance fazê-lo.

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