A data é 1979. Vinha da Estônia uma prima de meu pai que nunca havia saído de lá. Viajava sozinha. Não falava nem o inglês nem o português. Ela só sabia que tinha que desembarcar em São Paulo – quando ouvisse esta palavra pelo auto-falante do avião.
A saga já começou na Estônia, onde tomou um trem até Moscou com algumas horas de viagem. De lá, tomaria um avião da AirFlot que faria conexão com outro voo em Lima (Peru) para chegar a Congonhas.
Atentos estávamos a todos os horários de embarque e desembarque desta "grande viagem", para que pudéssemos apanhá-la no aeroporto.
Na hora da chegada do avião a São Paulo, lá estava meu pai aguardando, com uma foto na mão para não perdê-la de vista. Passageiros descem do avião e nada! Meu pai confirma com o balcão se aqueles passageiros vinham do mesmo voo que a prima. Sim!, respondeu a moça.
Meu pai volta ao setor de desembarque, procura por todo o saguão… Nada! A mulher sumiu! Isto estava acontecendo às 16h00. Não encontrando a prima, e acreditando que talvez ela não tivesse vindo naquele voo por alguma razão, meu pai retorna para casa.
Chegando em casa sem a prima, ficamos aflitos. Começam as ligações para Congonhas para ver se alguém poderia ajudar a localizar a senhora em questão… Vai que ela saiu por algum portão errado. Características dadas, ficamos aguardando retorno.
No retorno, nada…, não havia nenhuma senhora lá, "perdida". Alguns minutos de silêncio em casa… O que fazer? Onde estará nossa prima?
Minha irmã volta a ligar para o aeroporto (entre o vai e vem já eram 20h00), perguntando se o voo tinha parado em alguma outra cidade antes da capital. Resposta positiva… Parou em Campinas – São Paulo. Ligamos para Viracopos explicando tudo o que havia acontecido e se porventura estava lá "perdida" alguma senhora.
Aguardamos retorno. Sim… ela estava lá. Não tínhamos como ir a Campinas já por volta das 21h00. Solução: solicitamos ao agente de segurança do aeroporto que a colocasse num táxi que nós pagaríamos por aqui, mas que tomasse cuidado com as palavras, pois ela não falava um "a" de português. Que escrevesse num papel apenas o nome de meu pai e Congonhas e que lá era Viracopos.
Assim que ela foi colocada no táxi (o agente fez a gentileza de nos informar), solicitamos a um vizinho uma "carona" até Congonhas para esperarmos por ela lá.
Gente… vocês não sabem o desespero em que ela se encontrava! Ela já achava que estava "perdida no mundo de meu Deus", como dizemos aqui, já eram 22h00.
Pagamos o táxi e viemos embora. A confusão se deu quando ela ouviu: Campinas – São Paulo… Aí ela resolveu descer… Só que ela estava lá e a bagagem dela aqui… Uma aventura e tanto!
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