Aconteceu comigo!

Nasceu e o varão que recebeu o nome de Osmair Cunha. Filho de dona Claudina Netto, morávamos na Rua Matilde Sá Barbosa, 35. Não existe mais, era uma velha casa com janelas enormes; a pavimentação era de paralelepípedo (ufa! Consegui escrever… Se fosse para pronunciar dava nó na língua!). Havia uma fachada gótica bem no alto dos beirais, no telhado um realce em forma de abacaxi, estilo de arquitetura europeia.

Como eu era o primeiro neto de dona Brasilina, as festas de aniversários pareciam de um príncipe, o que não podia faltar eram as balas de coco feitas pela tia Ermantina; o bolo, pela tia Esther; mas o mais gostoso eram os presentes dados pela tia Ruth.

Tivemos uma infância feliz! Não tínhamos TV,nem fogão a gás. Meu tio Percilio era soldado bombeiro, levava a gente para pescar no rio Tietê, bem perto da Ponte das Bandeiras. Pescavamos cada lambari! Dava para se divertir no local, que ficava no Anhembi. Nos finais de semana, os atletas do bairro iam jogar peladas por lá, pois não havia ainda as vias.

Tudo mudou… Eu chegava a ficar em pé no rio Tiete pegando peixe. Era incrível! As torres da Ponte das Bandeiras poderiam servir como ponto de referência aos turistas, daria um mirante e tanto…

A Rua Sá Barbosa tem tradição, foi dela que partiram vários pracinhas para a guerra em Monte Castelo, festa quando partiram e ao retornarem.

Uma certa tarde começaram a pipocar estouros ,pensávamos que eram estalos de bombinhas, só que os barulhos ficaram repetidos. Alguém gritou:
– “Corram, gente! É fogo no paiol!”

Era os depósitos de armamentos da policia militar. Foi um pânico, tinha gente na vila que pensavam que havia iniciado uma nova revolução! Muitas pessoas abandonaram as casas. Nunca irei me esquecer… Meu tio Percilio, o bombeiro, saiu correndo para o incêndio, na Rua Jorge Miranda. Hoje uma das ruas da Saúde leva o nome do melhor bombeiro do ano, Percilio Neto. Meu tio virou nome de rua!

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