Ford do Brasil – Pioneira do Século

Os primeiros anos do início do século passado, deram lugar às industrias que viriam mudar todo um comportamento na área de transportes, abolindo graduadamente os meios de locomoção por tração animal.

Charretes, carroças, carroções e montarias de sela, seriam substituídos pela novidade do momento pelos “novos” veículos com motores a combustão. Era algo realmente novo e “moderno”, pois não necessitavam mais de um burro ou cavalo para moverem-se. Só os “cavalos de força” que cada motor contivesse.

Foi assim o surgimentos dos Oldsmobiles, Panhard et Lavassor, Rolls Royce, Mercedes, Cadillac's e tantos outros (alguns hoje desaparecidos ou absorvidos por outras marcas) que, no início de 1900 ocuparam seus espaços nas garagens daqueles que podiam pagar pela novidade do momento.

No Brasil, o ponto de partida para a revolução automobilística nacional deu-se a partir do ano de 1919 com a instalação da primeira loja da Ford Motor Company, na Rua Florêncio de Abreu, cujo o “show room” daquela época poderia ser comparado como a primeira concessionária de automóveis do Brasil, transferindo-se para a Praça da República um ano depois.

A partir de 1921, a Ford já dispunha de uma grande área no bairro do Bom Retiro onde instalou sua inovadora “linha de montagem”.

O empreendedorismo aliado à visão além das fronteiras de Henry Ford (1863 – 1947), catapultaram a produção daquele que veio a ser considerado como o primeiro carro popular da época, o Ford modelo "T".

A inovação com a famosa linha de montagem, onde cada funcionário tinha uma atribuição única e específica, permitiu que a Ford aumentasse a sua produção diária de veículos e reduzisse consideravelmente o preço final de cada veículo produzido.

Isto porque, anteriormente os veículos chegavam totalmente desmontados e embalados em caixotes e sua montagem demandava muito tempo, com os poucos operários envolvidos e o custo final ficava muito caro.

Um Ford “T”, no antigo processo de montagem, poderia atingir o equivalente a três vezes o valor do mesmo carro montado na moderna linha de montagem idealizada por Henry. Qual era a mágica? Simples. Aumentando-se a produção com o envolvimento de mais funcionários poder-se-ia aumentar as vendas com preços mais atrativos à população, enquanto que na produção artesanal, o número de carros fabricados era muito lento e, pelo preço final as vendas poderiam cair, consideravelmente.

Para baratear a produção dos famosos modelo "T", todos eles, sem exceção, vinham pintados na cor preta e, é do próprio Henry Ford a máxima de que "todos podem ter um Ford ‘T’ na cor que desejar, desde que seja preto…" Também foi dele a expressão "a Ford é capaz de produzir um carro por minuto…", face ao advento da instalação da “linha de montagem”.

Hoje, todas as montadoras no Brasil utilizam este recurso e, no final da linha de montagem e como mágica, um carro é produzido a cada minuto. Mas isso não é mágica. Trata-se tão somente do processo contínuo de montagem e o envolvimento de muitos funcionários.
Henry Ford foi um homem além de seu tempo. Oriundo de uma família de fazendeiros, nunca se interessou pelo trabalho duro da lavoura e despertou a sua paixão pela engenharia e mecânica quando ainda trabalhava na indústria de Thomas Edison.

Era dado a experimentos, tendo ele mesmo fabricado um pequeno motor de explosão na garagem de sua casa e teve como sua “auxiliar” a própria esposa Clara J. Bryant, mãe de seu único filho Edsel.

Antes mesmo de se tornar no grande industrial que se notabilizou, Henry Ford tinha muita curiosidade pelas coisas mecânicas, a ponto de comprar relógios, abri-los para ver o seu funcionamento, desmontando-os totalmente para depois remontá-los. Se os relógios voltavam a funcionar, isto a história não nos revela.

Foi também de Henry Ford a criação do motor de oito e de doze cilindros em “V”. Antes, estes motores tinham sua montagem longitudinalmente nos automóveis e a nova configuração oferecia uma compacidade, já que a antiga configuração tomava muito espaço frontal no capô do motor e comprometia o conforto e a segurança em alguns veículos.

Portanto, desde o surgimento daquele que para a época foi uma espécie de Corcel I da popularidade, o Ford "T" e, passando pelos famosos "Ford Bigode", até chegar ao Galaxie Landau, último carro de luxo fabricado em solo brasileiro, a lenda da Ford do Brasil prossegue e,prestes a completar seu centenário em terras brasileiras, prossegue em produção contínua com seus modelos populares e outros mais sofisticados e ao gosto de muitos de seus apreciadores, assim como eu.

E-mail: [email protected]