Em 1963 meu pai ganhou pela Federal um fusca 63 0 Km e a sorte grande foi minha pois completaria 18 anos em 3 meses. Ter carro nesta época era um privilégio de poucos e o sucesso com as garotas, em função do carro, era inevitável. Não fosse o prêmio, não teria carro tão cedo.
Entre os anos 64 e 67, passei boa parte da minha vida freqüentando nos dias de semana, a noite e nos finais de semana a Leiteria Americana da rua Xavier de Toledo que era para nós, inveterados paqueradores, um ponto de encontro. Lembro do atendente de balcão o Lúcio, rapaz nordestino extremamente simpático que nos servia um café muito bem tirado e morria de rir com nossas piadas.
Nossa turma de amigos, todos motorizados, era grande e chegamos até criar uma escuderia com decalque e tudo. Estacionávamos na Xavier em frente a Leiteria e lá passávamos horas contando nossas aventuras.
A paquera consistia em um quadrilátero, circulando com o carro saindo da Leiteria, virando à esquerda na Praça Ramos em frente ao Mappin, novamente a esquerda subindo a Conselheiro Crispiniano, esquerda novamente na 7 de Abril e finalmente a Xavier. Hoje isso seria impossível.
Feita a conquista o destino invariavelmente era os barzinhos de Interlagos, drive-ins, (Texa's Ranch) e na falta de dinheiro a bela vista da cidade lá do alto do Morumbi.
Trago ótimas lembranças deste tempo, até o dia que tudo aquilo acabou quando abordei em frente a uma vitrine do Mappin aquela que se tornaria a mãe dos meus filhos.
Por onde andam: Paolo do Karmann-Ghia vermelho, Ferrucio do Fissore e outros amigos da época??