Sobre a casa que aqui escrevo, nunca me detive para pensar se é um casarão ou uma mansão. Não sei o que as diferencia.
Eu só sei que ela é e sempre foi toda cor-de-rosa, ocupa dois lotes de terreno com sua piscina enorme, churrasqueira, no seu quintal tem árvores frutíferas e pomar. É toda ladeada pela flor primavera que, ao brotar o ano inteiro na sua exibição mais escancarada, faz-nos crer que a estação que tem o seu nome, ali repousa até a próxima vez.
Foi nessa casa que minha sogra viveu e um dia faleceu. Lá moram meus cunhados e meu sobrinho. Porém, nunca perdeu sua principal característica de ser o ponto de reunião de família no Natal, Páscoa, feriados, aniversários e porque não dizer, dias comuns. É para lá que vamos, sem exceção, para cuidar de nossos ais, ferimentos físicos ou emocionais, na certeza que a aura que a envolve logo nos curará.
Depois da morte de meus pais, essa é a única casa que me sinto à vontade de chegar a qualquer hora e dia sem avisar, na certeza de não incomodar.
Lembro-me de uma noite, de uma semana qualquer, que lá chegamos (apenas para dizer alô) e minha cunhada estava fazendo um bolo. Fomos para a sala de televisão e logo depois ela chegou com um cafezinho acompanhado de bolo ainda quente e, ao mesmo tempo, avisou-nos que tinha feito mais um para levarmos para casa.
Essa maneira de ser e receber é bem própria dessa família grande, caloroza e mineira que minha sogra pôs no mundo: 12 filhos. Alguns, infelizmente, já partiram. Porém, ficaram seus filhos que os representam com o mesmo amor e carinho.
Quando os vi pela primeira vez, numa festa, todos reunidos com suas respectivas caras-metades, eram tantos que fiquei completamente atordoada, confundindo nomes, cunhadas, irmãs e, ao mesmo tempo, eu pensava que essa família, pelo seu tamanho, povoaria um bairro ou uma pequena cidade.
Mais tarde vim a compreender que nesses momentos simples é que se reúnem as coisas mais importantes de nossas vidas. A experiência de ser esposa e mãe, a explosão de sensações, cores, sabores, sons e história, a segunda parte da minha história compartilhada em família.