Cansado de ser ver as nulidades tomarem conta de nossa cidade e de ver que não tínhamos prefeitos fixos naqueles anos, e de vereadores que não cumpriam suas palavras, o povo paulistano resolveu dar um basta em nossos políticos. O movimento de vergonha na cara (dos políticos)começou no bairro mais populoso que a cidade de São Paulo tinha OSASCO (Osasco deixou de ser bairro da cidade de São Paulo em 1962). De repente, bem próximo das eleições de 1959 para vereador começou a aparecer no asfalto um nome até então desconhecido na política como candidato a um cargo legislativo CACARECO. Naquela eleição eu trabalhei para o candidato Milton Peruzzi, um radialista esportivo da radio e TV Tupi, e jornalista da Gazeta Esportiva que assinava uma coluna denominada de O PERISCOPIO. Nos cabos eleitorais não tínhamos a menor idéia do ia acontecer com aquela “candidatura”. Cacaréco era um Rinoceronte vindo do Rio de janeiro, e era a coqueluche do Zoológico de São Paulo.
Essa idéia que começou em Osasco, então bairro da cidade de São Paulo, pegou a massa popular, e mais a classe média, e uma pequena parte da burguesia. No dia da eleição (3 de outubro de 1959) os presidentes das juntas eleitorais deixavam a gente colocar os panfletos (santinhos) dos candidatos na cabine indevassável de votação. Eram cabines de lona parecidas com os provadores de roupa das lojas. O eleitor escrevia o nome do candidato na cédula, que desde o ano anterior, passou a ser cédula única. No dia seguinte quando começou a apuração, veio à decepção dos políticos, que levaram uma autêntica bofetada na cara do povo. Cacareco teve mais de cem mil votos. Uma média de 20 a 30 votos por urna. O vereador mais votado foi Manuel de Figueiredo Ferras (genro de Ademar) com 10% dos votos do Cacaréco. Foi a primeira e única vez que vi o povo unido numa ação contra os políticos.