O inverno este ano no Brasil está demais… Com certeza tem muita gente assustada com essas baixas temperaturas. Principalmente os idosos, que são os que mais sofrem, pela pouca resistência imunológica. E com essa umidade tão grande, tornam a coisa ainda mais seria. Tenho muita pena dos moradores de rua nessas horas, que procuram por abrigo para não morrerem de frio. Em São Paulo o termômetro chegou a um grau, isso é muito frio para quem mora ao relento.
Lembrei muito da Vera Moratta e do Clesio que residem em Florianópolis, se não tiverem um sistema de aquecimento apropriado devem ter virado sorvete. Mas acredito que naquela região, pelo menos uma lareira é indispensável, porque as residências aí são construídas para esse clima austero que reina no inverno sulista. Mesmo assim são construções de alvenaria que retém muito o frio.
Aqui no hemisfério norte se usa muita madeira e com a impermeabilização confina o calor internamente, e mesmo que não seja assim, por exemplo, nos edifícios donde o concreto é usado, o sistema automático de calefação (elétrico ou a gás, ou mesmo caldeiras usando óleo combustível) é uma necessidade para sobreviver, pois são nove meses de frio, com temperaturas insuportáveis.
Quem iria dizer que um dia fosse possível fazer um boneco de neve na nossa terra e isso já aconteceu, agora. Lembro de minha primeira nevada no ano de 1965 quando imigrei para este país donde hoje vivo. Foi logo depois do Natal e não tivemos o “white christmas” ou natal branco. Foi uma assim como essa que caiu aí nos estados do sul, bem pequenina, mas por ser a primeira, para mim, foi maravilhosa. Foi no começo da noite, e eu vibrei com aquela nevada de mentirinha, porque o pior estava por vir. E foi depois disso que aprendi que a neve e uma maravilha! (quando você a vê do lado de dentro da janela).
Fico só imaginando as pessoas viajando centenas de quilômetros para ver a neve, e sempre tendo que contar com a sorte, não para ver uma nevada, porque felizmente o que sempre cai aí são flocos de neve que nunca chegam a se acumular e que em algumas horas o sol se encarrega de derretê-los, para o desagrado de quem viajou tanto para ver esse extraordinário momento. Sorte de quem mora nessas localidades, porque se fosse ao contrário teriam muito prejuízo, pois os telhados não são construídos com o caimento necessário para aguentar uma nevada.
Nestas zonas de frio o que sempre me encantou é quando a temperatura está fria o suficiente para congelar, mas não para nevar e a chuva começa a cair e envolver tudo em gelo que cristaliza e forma uma verdadeira maravilha de paisagens indescritíveis. Isso chega a causar muitos danos para as árvores e mesmo fios elétricos que de tão pesados chegam a desabar causando além dos danos nas árvores, inúmeras interrupções na rede elétrica, mas essa sem sombra de dúvidas foi sempre meu maior encantamento e vez em quando pego meus álbuns de fotos para relembrar esses maravilhosos momentos.
Com quantas nevadas e chuvas congeladas eu tive que conviver até o ano de 1982 quando desisti do frio e me mudei para um lugar de clima subtropical. Isso sem contar com os cinco anos que trabalhei no Estado do Alaska antes de ter mudado para longe da maravilha branca, que quem nunca viu venera.
As horas que você costuma ter antipatia à neve, e quando você tem que sair de casa para trabalhar e dependendo do montante você tem que limpar pelo menos a neve congelada no para-brisa do seu carro, assim também com o vidro traseiro, sempre com luvas, porque ninguém é de ferro. E nunca esquecendo que é necessário trocar os pneus comuns pelos de neve no inverno que vem a ser mais ou menos como o lameiro aí, porque e só assim que dá para andar quando neva, e sempre com muito cuidado para evitar acidentes.
Quanta saudade sentia do meu querido bairro do Braz nessas épocas. E por isso eu digo que a gente sempre está bem donde não está. Porque as boas lembranças você sempre deixa para trás. Quando está aqui sempre lembra de lá e vice e versa .Porque, repito, você está sempre bem donde não está.
Tive oportunidade de usar os exemplos de alguns amigos, que cansados do frio e da neve voltavam para o Brasil e depois de alguns meses acabavam retornando, pois sentiam falta da vida que levavam aqui.
O frio no nordeste daqui não e brincadeira, pois são nove meses de frio, e quando chega o verão, quando a gente procura deliciá-lo nos fins de semana, quantas vezes o mau tempo não nos deixava e a chuva nos mantinha dentro de casa (nos fins de semana).
E também o mar, o oceano é o mesmo que banha o Brasil, mas pode estar 40 graus e você não consegue entrar, a água e muito gelada, pois não dá tempo de em três meses de calor esquentar essa parte do Atlântico. Aí procurava os lagos e as piscinas dos clubes para poder se deliciar do calor forte que faz.
Eu trabalhei durante cinco anos no Alaska, na construção de um oleoduto nos anos 70, o Trans-Alaska Pipeline. Aí sim e que passei frio, pois eram 50 (“average”) graus abaixo de zero “fahrenheit”, lembro de momentos com 72 graus abaixo de zero às margens do oceano ártico, mas o vento que sopra forte fazia você senti-lo muito mais forte. Isso, para mim, foi a maior experiência que vivi na minha vida. A neve era tão intensa na zona do circulo ártico que tínhamos que usar óculos em tom amarelado para não adquirir a cegueira da neve (“snow-blind”), como não existe contraste e só o branco da neve e o azul do céu, o sol brilhando nesse ambiente faz você começar a lagrimar e isso provoca a cegueira que dura horas, às vezes mais de um dia.
Jogava para o ar o café que levava na garrafa térmica e ouvia um som como “uuff” e o café virava neve. Tive o deslumbramento de assistir por três vezes as “Northen Ligths” ou a Aurora Boreal que e um misterioso fenômeno visual da natureza, acontecimento que vem de ondas magnéticas de energia enviadas do sol em inúmeras cores. Isso só acontece em zonas dos polos (norte e sul), donde as temperaturas são extremas (mais de 30 abaixo de zero). A do polo sul é chamada de Aurora Astral, mas as duas são idênticas.
Quando a noite chega em meados de dezembro, fica, mais ou menos até fins de fevereiro, noite por 24 horas, é sempre noite. E ao contrário no mês de junho, verão, o sol nunca se esconde por três meses. Desse tempo realmente eu não gostava, porque tinha que cobrir a janela do meu quarto para encontrar a penumbra, para poder conciliar meu sono. Enfim, vivi momentos na minha vida, quando senti muita falta dos meus velhos dias com a rapaziada do Braz. A gente está sempre bem donde não esta! …não e mesmo?