Por volta do ano de 1948/1949, meu pai, como bom italiano (Calabrês), gostava de reunir toda a família e íamos jantar fora quase todos os sábados e domingos.
Morávamos no Jardim Paulista. Ele, naquela época, tinha um Chevrolet tipo rabo de peixe. Eu era criança com oito anos de idade, mas me lembro muito bem.
Uma dessas cantinas eu nunca mais esqueci, ficava na Rua Major Diogo, bem no quarteirão do Teatro Brasileiro de Comédia. Essa cantina ficava em uma casa antiga que tinha um portão de ferro grande.
Descíamos uma escadaria e o salão de refeição, com suas mesas e cadeiras, tudo muito rústico. As mesas não tinham toalha de pano, eram cobertas com papel toalha grande da cor cinza.
No cardápio, era servido o que era feito no dia, antepasto de entrada, que era uma delícia, e de três a quatro pratos feitos na hora (Fuzille, Ravióli, Cabrito era feito com antecedência e outros pratos). Ele gostava de um vinho de nome Faísca, que pedia para acompanhar o jantar.
Das mesas dava para ver a cozinha, bem ampla, e víamos toda a família trabalhando para fazer a comida, tudo muito bem feito, e a limpeza, impecável.
Essa cantina chamava-se Cantina Capuano, isso ficou para sempre em minha memória.
Guardo como recordação de uma cidade de São Paulo bem diferente de hoje em dia, era uma cidade em que podíamos sair à noite sem preocupação com essas barbaridades de hoje.
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