1964, ano marcante se falarmos em política nacional, mas não pretendo fazer um texto nessa linha. Quem sou eu para ousar tanto?
Sei que naquele ano, eu estava no auge da minha vida boemia, dançava muito, bebia bem, comia melhor ainda e, ainda trabalhava de verdade.
Estudo, por “falta de tempo” tinha sido relegado a um terceiro plano e, mesmo assim, não abandonava a freqüência no velho e querido Ozanam. Meu primo-irmão Roberto, xodozinho do velho primo, era aluno do 3º ano do Técnico de Contabilidade e, lógico, iria se formar.
Ele já fazia parte dos Jograis do 9 de Julho junto com outros alunos do colégio tais como Helyon, Rosa, Brilhante, Marcos e o Fernando.
Era um grupo excelente e eu me orgulhava dele e do priminho, é claro.
Eis que as atividades de pré-formatura começam a tomar corpo. Bailes, Rifas, Promoções…
Eu já havia convivido com tais problemas inúmeras vezes em virtude das minhas atividades para-escolares e naquele momento não estava preocupado em retornar à ativa, pelo menos no que dizia respeito à atividades pró-formatura.
Fui surpreendido, porém, com o convite do Roberto e dos demais membros da Comissão para ajudá-los na missão.
Perguntar-me, naquela época, se eu queria aceitar um desafio de trabalho, era o mesmo que perguntar se macaco queria banana. Então, lógico, aceitei.
Primeira missão foi concordar ou não com o nome da “turma de 64” que tinha sido escolhido pela Comissão de Formatura que era formada quase que exclusivamente pelos Jograis do 9 de Julho citado no início deste texto. O nome, por questões óbvias, era “Turma do Senta a Pua”, eu concordei.
A segunda missão: promover o primeiro baile para arrecadação de fundos.
Missão definida, começamos a trabalhar, escolhemos a data e o local, as data seria um domingo à tarde e o local o próprio colégio.
Partimos para a divulgação do evento. Comunicados e cartazes foram preparados e colocados nos mais diversos lugares da escola, avisos verbais foram formalizados em todas as classes de todas as séries de todos os turnos existentes. Convites foram preparados e impressos no velho e querido companheiro “mimeografo” que não se fazia de rogado para trabalhar e para fazer sujeira, sujando com sua tinta todos os que se aventurassem a operá-lo.
As fases preparatórias foram sendo vencidas, uma a uma, dentro de seus requisitos e chega a última e decisiva fase, a mais difícil antes do Baile, a desmontagem de duas salas de aula que se prestariam para servir como salões de dança.
Desmontamos então, a sala do Escritório Modelo e outra sala contígua a essa, tomando o cuidado de manter os pertences de cada sala juntos para a missão de remontagem que deveria ser executada ao término do evento, pois na 2ª. feira as aulas teriam início no horário normal.
Chega o grande dia, 15 horas, as portas já abertas, os convidados chegando, este que lhes escreve, assume o seu posto de “disck-jockey” já que não se sentia tentado a dançar com as menininhas do evento quando, na noite anterior, havia dançado e se esbaldado com verdadeiras bailarinas do “Som de Cristal”.
Como era de se esperar dei partida no toca-discos, coloquei o disco que era nosso tradicional prefixo musical, “Moonlight Serenade” com Glenn Miller e sua orquestra. Depois dos primeiros acordes, liguei o microfone, impostei a voz como sempre fiz ao falar no microfone e mandei a seguinte mensagem:
“Com esse prefixo musical, a Comissão Pró-Formatura da Turma do Senta a Pua, deseja a todos uma excelente tarde dançante, com muita alegria e prazer…. continuem dançando ao som da Big Band de Glenn Miller…”
O Baile seguia tranqüilo e alegre, saí do recinto em que estava trabalhando e fui até o salão de danças, assuntei, e reparei numa meninota morena, trajando um vestido rodado de cor amarela, todo estampado que, ouvindo o comentário de outras meninas que a acompanhava, olhava para mim e sorria.
Matreiro nos assuntos femininos, percebi que falavam de mim e não tive duvidas, fui até elas e me dirigindo à moreninha, disse:
– Vamos dançar e assim você aproveita e conta o que estavam falando de mim…
Ela meio sem graça aceitou o convite, mas disse que não falavam nada da minha pessoa. Dançamos e percebi que ela tinha tudo para ser uma grande bailarina de salão. Resolvi que iria parar um pouco com a função de discotecário e dançar um pouco mais com a menina.
Mal sabia que, naquele momento estava dando adeus à minha vida de boêmio e de solteiro….
Mas isso já é outra memória e depois eu conto!
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