Memórias profissionais II

Estamos em 1956, eu já estava metido com os assuntos para-escolares do Colégio Frederico Ozanam, já fazia parte da Diretoria do GEFO (Grêmio Estudantil Frederico Ozanam). Conheci, então, um aluno chamado Orlando Sgrinhelli morador, como eu, do Bixiga, que sabendo estar eu desempregado e necessitando de trabalho, me apresentou ao seu irmão Raphael, que estudava no turno noturno e estava para se formar.
Conversamos e fui convidado a trabalhar na empresa em que ele era o chefe de escritório. Essa firma era a Comissária de Despachos Marítimos Condemar Ltda., com escritório à Rua Senador Feijó 58 2º andar. Aceitei de pronto e depois de ser entrevistado por um dos sócios, o Sr. Hermes Barsotti que, além de sócio era o representante da Portuguesa Santista em São Paulo, comecei a trabalhar.
O prédio existe ainda hoje, mudou o Zelador que na época era o Coelho (careca de todo), mudaram as firmas ali estabelecidas, na época, no primeiro andar estava estabelecido o Dr. das Bonecas (Rafael) que trabalhava consertando todo tipo de brinquedo, principalmente bonecas. Neste mesmo andar, numa pequena saleta o Sr. Soldi fazia trabalhos de eletricidade.
A Condemar tinha a sua Matriz em Santos e depois que eu já estava desligado da empresa ela se tornou notícia das páginas policiais dos jornais da época por causa do suicídio de um dos seus sócios, o Sr. Nelson Soares de Oliveira (Doca) que praticou esse ato nos escritórios de São Paulo.
Muitas aventuras eu tive quando funcionário dessa empresa, eu e o filho do Sr. Hermes, o Hermes Barsotti Junior, aproveitamos ao máximo as facilidades e, junto com as mercadorias desembaraçadas junto ao "Colis Postaux" da época, chegavam produtos que pedíamos tais como tecidos especiais de nylon com trama de metais dourados ou prateados (novidade da época), gravadores profissionais que gravavam em fio de cobre e uma série de quinquilharias.
Usando o gravador supracitado, montávamos replicados dos programas de rádio, principalmente a PRK30, o BALANÇA, MAS NÃO CAI e vários outros.
Quando o pai dele recebia algum jogador de futebol profissional em nome da Portuguesa Santista, nós, imediatamente, gravávamos uma entrevista com a figura, usando e abusando de perguntas indiscretas e de duplo sentido.
Foi uma fase muito gostosa da minha vida profissional e hoje, quando passo na Rua Senador Feijó e olho o prédio em questão, já em fase decadente, lembro com saudades daqueles tempos.

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