Nos idos anos de 1975 eu trabalhava no Comind da Av. Angélica.
Eu me lembro como se fosse hoje: do lado direito, havia o atelier do Denner, muito famoso.
Artistas da época como Roberto Carlos e outros sempre estavam por lá.
Aquele glamour parecia que nunca ia acabar, mas o tempo, ah o tempo, não perdoa ninguém.
Meus colegas, alguns eu me lembro, como a Vasty que morava no largo do Arouche, e sempre me convidava para dormir lá.
A Inês morava na ladeira da Memória, e hoje pesquisando vi que é o monumento mais antigo de São Paulo, um logradouro bem bucólico.
E esses lugares e essas pessoas fazem parte da vida da gente.
Quantas vezes, intermináveis vezes, passei pelo viaduto do Chá apinhado de pessoas. Às vezes, nos meus sonhos, ainda me vejo naquela correria que foi a minha vida, acordo e digo:
_ Ufa! foi um sonho.
Mas tudo valeu a pena,
E a fé, a esperança no futuro não deixa desanimar.
A presença dos sonhos fazem do velho um jovem, e a falta deles faz de um jovem velho.