Por vezes a vida pára, parece uma eternidade seguir em frente, de repente aqueles entes que fizeram parte de nossas vidas intensamente, já não existem mais, passaram pela existência e nos deixam apenas lembranças. Pisaram por muito tempo lugares em São Paulo, que hoje são nossos passos contínuos, fazendo trajetos quaisquer que nos levam também como por “osmose” a cumprir algum rito de movimento nesta transformadora cidade, em um sistema de vida pulsante em um vai e vem constante.
Nossas vidas se cruzam em vários caminhos, em largas estradas ou vielas curtas onde haja algum compromisso a ser cumprido; mas num certo momento parece que viver não faz mais parte de um contexto quando alguém já cumpriu seu papel e contribuiu para que a cidade tivesse o costume de um grupo migratório que trabalhou muito para que São Paulo se tornasse o que representa no hodierno.
O tempo urge implacavelmente e a vida animada pelo respirar arrebata nossos afetuosos e queridos que um dia fizeram parte de um contexto histórico, permanecendo o infortúnio de não mais vê-los, restando simplesmente à saudade.
Aquele momento pulsante que foi a alegria familiar e que agregou pessoas em volta da mesa, com risos de felicidade por acreditar sempre que cada dia poderia ser melhor que o outro, foi o êxtase de manter-nos “vivos” na crença de sempre crescer com a cidade de São Paulo, nos educando por princípios de virtude e moral aprendidos a cada dia em ensinamentos constantes.
Essas pessoas que em determinada época escreveram com garra a história paulista, partem, como em uma páscoa, uma passagem, e restam delas o exemplo de não desistirem com o revés e que tudo seria possível quando houvesse a crença em algo Supremo. Jamais esmoreceram por serem rejeitados em certos momentos; levantaram a cabeça e lutaram com honradez e venceram na Capital do Estado de São Paulo.
Devemos, evidentemente, aceitar os desígnios da vida, e saber que somos finitos, nunca absolutos, mas a partida de um ente querido nos aniquila por completo, sem entendermos a razão de ser e o porquê de continuarmos a existir para cumprir alguma missão incompleta. Cada espaço pisado por aqueles que chamávamos pelo nome carinhoso nos remete a várias recordações, por vezes em lutas aguerridas de subsistência e em outros momentos de glórias vencidas nesta cidade assustadoramente gigantesca.
O dever “deve” ser cumprido para perpetuar os ensinamentos adquiridos, sempre acreditando que possamos melhorar a cada momento da vida, quando essa nos agracia com a força do sopro e desígnios divinos, mesmo quando perdemos parte de nós mesmos.
Neste momento abalado pela perda, suspirar é algo que nos resta de lamento e, por ora, despeço-me também deste espaço que foi capaz de proporcionar o deleite em várias crônicas que contribuíram para que meu conhecimento fosse ampliado ao longo do tempo. Escrever foi um prazer, mas ler intensamente outros autores foi sublimar e entender ainda mais o que nos rodeia no espaço. Um dia cruzaremos nossos caminhos em algum lugar de São Paulo, pela vida afora em nossa cidade.