Nas imediações de minha casa, no Residencial Parque Continental, região bem arborizada na zona oeste de São Paulo, tem o nosso clube Continental, onde se praticam várias modalidades de esporte como basquete, vôlei, tênis, futebol society e de salão. Seus sócios contam, também, com uma bela piscina e um bom salão de sinuca, com duas mesas, onde passo boas horas praticando o “esporte dos malandros”, tentando ser um “Rui Chapeu” ou “Carne Frita”.
Entre o grupo de associados, estão os que praticam tênis, nas 4 quadras, veteranos, barrigudos que acreditam na postura incansável de suas “violentas” raquetadas. Um excelente substituto pra um regime alimentar, visando perder peso, quando logo ao término das partidas matinais, nos fins de semana, reúnem-se em torno da mesa do bar do Giba, anexo as quadras e repõem, com “juros e correção”, todas as calorias perdidas nas partidas, com salgadinhos e cerveja – muita cerveja, aliás.
As quadras de tênis presentemente, estão sofrendo reformas, – duas das quatro. A troca de piso se faz em conformidade com os especialistas, restando outras duas quadras, prejudicando os aficionados nos tempos pra ocuparem as únicas duas quadras, havendo queixas e reclamações. No momento, as pistas se apresentam com uma cobertura, toda de pedregulhos e uma camada de betume, por cima. Fim de amenizar a impaciência dos esportistas ofereci uma pequena homenagem a eles todos. Segue:
“Pequena homenagem aos aficionados do esporte das elites”
AS QUADRAS DE TÊNIS
Pátio enorme, negritude excitante, razoável tamanho
suficiente pra duas quadras.
O piso não está liso,
ainda afloram partículas de pedras, impregnadas
da balsâmica solução de betume, aguardando o banho
da última camada do tapete que
dará o final do piso.
Aficionado aguarda, impaciência com ranço de lesado.
Fidelidade, indumentária usual na rotina diária, não dá.
Nem que seja pra mudar o roteiro, aguardar, impossível.
Precisa de parcimônia tolerância, pra não ser contrariado,
susto sem ressonância, pra assistir, só se for bem dotado.
Esporte de elite, congrega praticantes veteranos.
Deleite nostálgicos, físicos bem guarnecidos
de ventres avantajados, esforço compensado,
sempre alertas, saudáveis, com passar dos anos.
Gestos monocárpicos, segura intenção entre dentes.
A certeza de um dia, ser guia, latente e de repente.
No ventre das intenções, guardadas proporções,
sonhos, desventuras, esperanças, alimenta
jovens de espírito, idosos de físicos e ações.
Aconchega, carinhosamente, em suas placentas,
As sementes dos futuros e teimosos campeões.