O sonho da minha mãe era ver o filho caçula trabalhando engravatado atrás de uma escrivaninha, então pediu a um conhecido, que era contador que tinha escritório na cidade, se ele estava precisando de alguém para trabalhar com ele.
E lá fui eu, com 13 anos, trabalhar como office-boy no ETC – Escritório Técnico do Contribuinte, na Rua Senador Feijó, 69 – 8º andar – sala 82.
Minha primeira tarefa foi fazer um depósito no Banco Brasileiro de Descontos, na Rua 15 de Novembro, já desci no elevador meio amedrontado com aquele saquinho de pão cheio de notas… Cheguei ao guichê, entreguei o saquinho e o depósito devidamente preenchido, o caixa contou, carimbou e quando me deu o recibo sai vitorioso… Pensei: já sou um office-boy.
A partir daí, foi abertura de firmas no antigo prédio da Secretaria da Fazenda, na Rua Tobias Aguiar, ou na Recebedoria Federal, na Florêncio de Abreu, onde havia um funcionário que agilizava as coisas mediante a uma “gratificação” que o meu patrão mandava entregar a ele, e como sempre o tal funcionário sempre reclamava do pouco valor da tal “gratificação”… Sem saber, eu já participava daquele jeitinho brasileiro que funciona no Brasil desde seu descobrimento.
Nessas andanças, meu ponto de parada era o Largo do Café, para uma esfiha dupla ou doce folhado com chantilly e nas lojas de discos que tocavam o sucesso do momento – The Platters e seu The Great Pretender…