Uma história de amor II

Vou continuar com minha história de amor e quero dar todo o crédito de nossa felicidade à minha esposa, que sempre me deu apoio quando precisei. 
 
Houve uma época na minha vida, isso aconteceu no ano de 74, quando criei coragem de aceitar um bom emprego no distante estado do Alasca. Nós residíamos em Nova Jersey e a distância entre esses estados era enorme, levava 12 horas de vôo com escalas, até a primeira cidade antes do Circulo Ártico, que era Fairbanks. Dali até o ponto de trabalho eram mais duas horas de vôo. Eu teria que trabalhar todos os dias da semana, no mínimo de 12 horas por dia, que ia das 6h da manhã até as 6h da tarde. A cada nove semanas trabalhadas, eu tinha duas de R&R (que eram duas semanas de folga). Mas isso não obrigava ninguém a vir em nove semanas, podiam trabalhar o tempo que quisesse.
 
Como tinha três filhos em idade escolar, ela aceitou a responsabilidade de cuidar de tudo. Trabalhei até 1979 com ela, como disse, cuidando de tudo. Eu só mandava os cheques que recebia e ela fazia os depósitos. Lá nos campos que vivia eu não precisava de dinheiro, pois era um tratamento de primeira qualidade (“room & board”) casa e comida. Eu trabalhava com um “Winch-Truck” (caminhão guincho) e dava suporte às frentes de trabalho. Lembro que a minha primeira R&R eu tirei depois de 22 semanas de trabalho direto sem descanso. Foram quase seis meses! Até hoje não sei como suportei tanto tempo trabalhando de domingo a domingo, além de ficar longe da família. Quantas saudades da Lourdes e das crianças! Recebia cartinhas dos meus filhos pedindo permissão para comprar coisas como bicicletas ou coisas parecidas, porque a mãe achava que era perigoso eles andarem pelas ruas de Nova Jersey pedalando.
Além disso, ela trabalhava em uma fabrica de salgadinhos, cinco dias da semana.
 
Falava com eles pelo menos uma vez por semana. O único problema era o fuso horário que era enorme (sete horas a menos): quando eram 7h da noite para mim eram 2h da madrugada para eles em New Jersey. Essa a hora que eu podia telefonar. Não foi fácil essa época das nossas vidas, mas sobrevivemos graças a Deus. 
 
Lembro que em novembro de 1976 foi completada a linha de oleoduto que levava o petróleo do Oceano Ártico, onde se localizavam os poços. E aí fui dispensado por dois meses. Só tinha que voltar no dia 3 de janeiro para um novo projeto, que era para levar as linhas de gás natural para alimentar as casas de força (“pump stations”) que iam levar o petróleo por 798 milhas ao porto da cidade de Waldes, que ficava no sul. Os petroleiros iriam transportar todo o combustível que chegava ao terminal para as refinarias. Era um total de 12 “pump stations”.
 
Aí foi que programei mais uma lua de mel. A minha saudosa mamãe estava passando uma temporada com os netos e se prontificou de cuidar da garotada. Fui para Fairbanks, que era a primeira cidade depois do Circulo Ártico que me referi no principio para programar a nossa viagem. Ela se encarregou de vir de Nova York pela saudosa Pan Am que, como a Varig, deixou de existir. A Pan Am era a única que fazia vôo direto desde da costa leste. Esse era um vôo de umas 8 horas. 
 
Quando ela chegou tivemos logo que comprar roupas próprias para aquela região, pois em novembro o frio já estava abaixo de zero e a neve era abundante.
 
Para ela tudo era novidade, pois nunca havia sonhado em um dia conhecer o Alasca. Ficamos hospedados uns dois dias nessa cidade. E eu já havia programado nossa viagem que iria terminar em Las Vegas, antes de seguirmos para casa, em Jersey. E já tinha alugado um carro para depois de conhecer as redondezas e irmos sentido de Anchorage, cidade que fica a umas 400 milhas ao sul. Na metade do caminho iríamos passar ao lado do Mount McKinley, que é a montanha mais alta do território americano, sempre coberta de neve. Fomos parando e registrando tudo em filmes e fotos. No caminho paramos numa vila de esquimós cheio de iglus, que é a casa onde eles se abrigam. Ficamos mais dois dias em Anchorage e no frio arrasador que faz no Alasca. 
 
Depois a levei para o calor encantador do Havaí. Foram 5 horas de vôo pela Western Air Line até a ilha de “Oahu”, na capital Honolulu. Lá, em 1941 os aviões japoneses bombardearam a base americana de Pearl Harbor e foi aí que os americanos entraram na II Guerra Mundial. 
 
Hospedamo-nos em Waikiki que é a praia mais famosa do Hawaii. Deliciamos aquelas belezas naturais dessa ilha assistindo exibições maravilhosas do Polynesian Center, que mostra a cultura dos havaianos. Visitamos também os destroços dos navios de guerra que foram bombardeados pelos japoneses e nunca foram removidos da base naval, que é usada como um museu do acontecimento onde tantos marujos e civis morreram estupidamente no dia 7 de dezembro de 1941.
 
O Havaí é um arquipélago formado de sete ilhas, onde a de nome Havaí é a maior de todas, Maui vem a seguir, mas Oahu é a mais visitada e a mais venerada. Seus habitantes, embora todos havaianos, são os mais hospitaleiros, mais simpáticos e os mais acolhedores.
 
Visitamos quase todas as ilhas voando de uma para a outra para ganhar tempo, pois podíamos fazer o passeio de barco. Mas voltamos depressa para Waikiki, pois logo sentimos a diferença do calor humano que eles proporcionavam aos visitantes. Fizemos parte de um luau, que é uma festa na praia, com direito a assado de leitão e ao som da inesquecível música havaiana. Saímos desse lugar contrariados e prometendo voltar um dia (até agora não cumprimos a promessa).
 
Voamos mais 5 horas de volta, com destino a São Francisco, na Califórnia, costa oeste, para continuar nossa viagem tão inesquecível, com destino ao México. Em Los Angeles: Knots Berry Park, Universal Studios, Disneylândia, Hollywood com a calçada da fama e as casas dos grandes artistas. Alugamos um carro e depois de conhecer os pontos mais turísticos de São Francisco, como o famoso bondinho nas famosas ladeiras dessa cidade, a “Golden Gate Bridge”, o “China Town”, a famosa marina de São Francisco… Seguimos viagem pela 101, que beira o mar, até Los Angeles. Estrada bem perigosa mais com uma vista espetacular! Quando anoiteceu, paramos em São Jose, pois não queríamos perder o esplendor da viagem. Paramos em Los Angeles e visitamos todos os lugares mencionados acima e seguimos pela free way 405, em direção a São Diego, por onde entraríamos no México até a cidade de Tijuana. Depois de visitar essa cidade do México, onde você não sai dela sem comprar alguma coisa, pois os mercadantes começam pedindo 200 dólares por um casaco de camurça e você acaba pechinchando e quando eles percebem que vão perder o freguês a vendem pelo preço que você oferece. A Lourdes tem um casaco de camurça até hoje que acabou pagando 50 dólares dos 200 pedidos.
 
E daí voltamos a Los Angeles e voamos para fantástica Las Vegas, onde terminamos mais uma lua de mel jogando em todos os cassinos da época. Depois de 38 anos tudo mudou em Las Vegas, tivemos oportunidades de voltar diversas vezes depois disso.
 
Esta realmente foi mais uma viagem inesquecível! Compensamos (eu e a Lourdes) todas as semanas que ficávamos longe um do outro. O restante tenho que continuar em outro capítulo… Nossa história de amor começou no saudoso bairro do Brás, em São Paulo, e nunca imaginei que fosse correr o mundo. Nesse momento fazíamos somente 18 anos de casados,  dos 56 que completamos em 14 de maio de 2014. Ainda tenho muito o que contar…