O Presépio da Galeria Prestes Maia

O Natal mal chegava e nós, minha irmã e eu, meninas criadas na periferia de São Paulo, já ficávamos infernizando nossos pais para irmos ao centro da cidade ver o presépio. Era sensacional! Descíamos as escadas rolantes (as únicas que conhecíamos em meados dos anos sessenta) e nos deparávamos com um imenso presépio composto por centenas de personagens, além da Sagrada Família e dos Reis Magos: eram animais, trabalhadores do campo, artesãos dos mais diferentes ofícios, todos cercados pelos elementos da natureza. Nossos olhos se perdiam naquela visão, sob os transeuntes de uma São Paulo acostumada à pressa.