O campinho da Avenida Lins

Ali, bem em frente ao Parquinho, tinha um terreno onde ocorriam rachas entre as turmas da rua de cima, da rua de baixo, dos manos etc. Mas, só tinha futebol, quando um laboratório (A Natureza) não colocava suas ervas para secar ao sol. Aquele cheiro impregnava o nariz de todo mundo e nada de futebol. Também é bom lembrar das cabras que iam pastar ou dos cavalos. Nós éramos sempre os últimos, mas ninguém ligava. A turma deitava da grama (quando sobrava) e fica olhando o céu, quase sempre azul para nossos olhos. Foi ali que tivemos uma visão do outro mundo. Junto ao terreno havia um prédio e os quartos ficavam bem na nossa frente. Não é que num belo dia, uma linda morena resolve se trocar! O espanto virou torcida. Nos escondemos mais do que estávamos. Ninguém nos via, mas nós víamos. Morena, bonita… soutien branco como a neve contrastando com sua pele. De repente, assim num estalo ela simplesmente fecha a janela.

– "Ei moça olha nós aqui…não faz isso não…continua".

Durante um bom tempo, em vez de futebol a turma ficava olhando para aquela janela. Ela nunca mais apareceu. Só ficou aquela imagem na memória. O campinho virou uma concessionária e depois duas torres de apartamentos. A moça? Sumiu… virou doutora. Será que um dia ela vai ler essa história? Se ler, não fique com vergonha, fique alegre, você fez a alegria dos meninos da minha época, ainda que por um só dia.