Capelinha de Melão,
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.
São João está dormindo,
Não acorda não,
Acordai, acordai,
Acordai João…
Essa é uma cantiga popular de Mario Zan e, ao ouvi-la, voltei no tempo, lembrei-me da nossa Capelinha na Praça Wilson Cardoso, no final da Rua Padre João, na Penha. Ela era assim conhecida, mas a verdade chamava-se Igreja Nossa Senhora de Fátima e São João Batista.
Minha família a frequentava por ser a mais perto de nossa casa e foi nesta capela que muitos batizados, crismas e casamentos da família se realizaram.
Muitos padres passaram pela Capela, e, apesar da sua simplicidade sempre foi bem organizada por eles e pelas damas de caridade de Nossa Senhora de Fatima e de São João Batista. Lembro que uma vez ou outra surgia um ciúmes entre as damas, porque cada grupo queria fazer sempre o melhor, mas depois das mediações que o padre fazia tudo ficava em paz.
A Capelinha tinha um coral muito bonito que alegrava e emocionava os casamentos e as missas aos domingos. Tinha também outras atividades como as aulas de catecismo, as deliciosas festas juninas para arrecadar fundos para a manutenção da Igreja, muitas excursões e os famosos encontros dos jovens.
Buscando na memória, lembro-me do padre João e do padre Antônio que inclusive frequentavam minha casa participando dos almoços da família e filando um cafezinho à tarde, com o delicioso bolo que mamãe fazia. Meu pai ajudava muito a capelinha, não só com o dízimo, mas também com a elaboração de um jornal, onde sempre tinha um texto de sua autoria.
Guardo nas minhas lembranças a beleza interna do seu altar principal sempre ornamentado com as mais lindas flores e aquele característico cheirinho de limpeza. Muitas vezes eu ia até lá apenas para rezar e admirar toda aquela simplicidade.
Em tempo de quaresma, eu não gostava de ir à capelinha nem a Igreja alguma. Elas perdiam toda sua beleza, não havia flores e as imagens eram sufocadas por uma capa roxa. Isso me assustava e me fazia sentir muito medo enquanto era criança. Sabe Deus quantas outras, caladas, sentiam o mesmo que eu. Não era permitido falar sobre esta emoção. Todas as igrejas agiam assim, então na quaresma eu me afastava e dava sempre uma desculpa para não ir à igreja. Sempre achei que neste período elas ficavam feias, tristes, pesadas, passando um sentimento que eu não gostava sentir. Ainda bem que era por tempo determinado, mas para mim representava uma eternidade, eu não via a hora em que elas voltassem a ficar alegres e floridas.
Outro dia fui visitar a minha capelinha, ela continua linda!