A cena, ocorrida no final dos anos 1960 nas proximidades do Largo do Cambuci, me foi contada por duas pessoas distintas e de total credibilidade.
Um animado bloco de Carnaval seguia pela Avenida Lins de Vasconcelos e, ao entrar em uma rua transversal, deu de cara com um cortejo fúnebre que vinha em sentido contrário.
Em sinal de respeito, os foliões que iam à frente até que tentaram parar a batucada, mas não conseguiram vencer a animada massa humana que havia entre eles e a bateria e foram praticamente arrastados.
Aquela situação, com o enterro e o bloco passando lado a lado, continuou por alguns minutos até que o maestro que comandava os músicos percebeu o carro fúnebre puxando uma fila de veículos com faróis acesos.
Os componentes da bateria quando viram a senhora vestida de preto descer de um dos carros e ir até eles, até baixaram a cabeça imaginando que ouviriam a maior reprimenda de suas vidas.
Mas estavam enganados:
– “Meus filhos, eu posso fazer um pedido? Será vocês podiam tocar as “Pastorinhas”?
Meu marido era louco por carnaval e adorava essa música.”
Aquela homenagem improvisada e singela fez muito folião cantar chorando.
“A estrela Dalva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor…
E as pastorinhas
Pra consolo da lua,
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor.
Linda pastora,
Morena da cor de Madalena…
Tu não tens pena de mim,
Que vivo tonto com teu olhar.
Linda criança,
Tu não me sais da lembrança…
Meu coração não se cansa
De sempre e sempre te amar.”