O Cavaleiro Negro era um dos personagens que eu mais gostava. Seu nome – na vida civil – era Robledo, Dr. Robledo, era médico. Ah, e tinha o Rock Lane e o Cavaleiro Fantasma também.
Era um tempo legal, eu e meus amigos da escola, especialmente um deles chamado Lair, trocávamos gibis sem parar. Comprava, lia, trocava; trocava, lia, comprava. Lia!
Hoje sinto tanto não ter guardado estes gibis. Sei que ainda existem exemplares por aí, não é tão difícil assim comprá-los, mas não seria a mesma coisa – falta o tempo, falta o menino e esse não volta mais.
Bom, com o correr dos anos, troquei os gibis por livros, como seria natural. O primeiro livro que folheei – e comecei a ler timidamente até não conseguir parar mais – foi um livro inusitado “2455 – a cela da morte”, do Caryl Chessman. Depois me caiu nas mãos “Os miseráveis” (pena que a pobre cotovia não cantava jamais), depois outros e outros e outros. Ainda sigo por aí, lendo sem parar.
Uma das coisas que mais gosto é frequentar bibliotecas, como a Mário de Andrade. Sebos também. Nunca vou para estes lugares pensando “vou buscar tal livro”. Gosto de encontrar repentinamente exemplares que não esperava encontrar, folhear com cuidado, ler capa, contracapa, orelhas, prólogos e só então mergulhar no texto.
Quando falo de livros e gibis que li no tempo de criança, cometo uma injustiça não citando as revistas que meu tio Mané tinha em profusão. “A Cigarra” e “O Cruzeiro”, por exemplo, eram presentes em minha vida. Ler é uma coisa única. Nem o cinema, nem o teatro, nem o circo (frequentei muito o Circo do Chiquinho, irmão do Tonico e Tinoco; era um humor absolutamente ingênuo, que àquela época nos fazia rir demais) podem competir com esta magia que os livros guardam. Muitos não sabem disso!