Que dia é hoje?

Caso eu pergunte que dia é hoje, a maioria dos meus amigos aqui do site, em um piscar de olhos ou usando a onomatopeia “vapt-vupt" (de imediato), já terá a resposta, como diria, já está na ponta da língua José. Pode ser o dia, o mês, o ano, o século e etc. que a resposta vem que por imediato, devido às tecnologias atuais embutidas em um pequeno celular, que dependendo do fabricante não pesa mais que 500 gramas.

Voltando ao passado, lá na Rua Tuiuti, no Tatuapé, dependendo do cômodo em que você encontrava-se (gente só havia três cômodos) teria que ir até a cozinha e olhar a folhinha atrás da porta para responder essa pergunta, caso não tivesse a resposta gravada na memória. Quanto ao horário, tínhamos aqueles despertadores com aqueles badalos em cima, ao tocar, acordava todo o quarteirão.

Os relógios de pulso eram analógicos e dependiam de nós para dar corda, dependendo do tempo de uso começavam a atrasar, onde criou-se aquele famoso bordão "relógio que atrasa não adianta". O Sr. Waldemar Fava, meu chefe da época, ganhou um relógio suíço, lindo, enorme, com vários ponteiros além dos que marcavam a hora e foi logo dizendo para mim: Olha aqui José o que eu ganhei, esse relógio que marca até a morte – risos. O galo como despertador para os mais novos, eles acham que é mito, mas para o pessoal da roça isso sempre funcionou.

Apesar de que, um dia desses, estava deitado e não eram nem 11h (23h) da noite e ao fundo eu ouvia um galo cantar. Não me lembro do intervalo de um canto e outro, e foi indo até eu conseguir pegar no sono. Às 2h da madrugada, quando acordei para fazer xixi, lá estava o galo cantando. Agora não sei se as coisas mudaram pelo lado deles, ou esse galo tem que fazer terapia.

Acredito que para a maioria dos homens, é claro, no nosso primeiro trabalho em que começávamos como "boy", como era tratado na época, a primeira tarefa ao chegarmos ao setor era atualizar o calendário que, no meu caso, havia uma caixa bem grande com números, dias da semana e meses, em letras garrafais para ser atualizado.

– Aureliano, faça uma ligação para o "fulano de tal".

– Sr. Rubens, não encontrei o nome na lista telefônica, o senhor não teria o endereço?

Tinha lista por nome de usuário e outra por endereço. Ao contrário dos celulares, eram grosas e pesadas, tendo até concurso para quem conseguia rasgá-la com as mãos, sem uso de nenhum artifício. No celular, você programa a sua vida. Horários para despertar (com a música do seu gosto, apito de trem, galo cantando, enfim, há tantas possibilidades que nem vale a pena descrevê-las). Horário do remédio, do almoço, final de expediente, de um compromisso, e vai por aí afora.

Engraçado, aqui em casa eu sinto-me acima dessas tecnologias. É que o meu filho mais velho programou em seu celular o horário para levantar para ir para o trabalho. Acho que a maioria programa o seu despertador assim: primeiro toque para alertá-lo, segundo para ficar esperto e não pegar no sono novamente e levantar mesmo no terceiro toque, que para mim é um saco. Agora, depois de todos esses toques, ele levanta mesmo na hora em que eu abro a porta do seu quarto, acendo a luz e digo "Juca são sete e meia" vamos levantar. Põe-se em pé e diz: “Obrigado pai”…