Mais de 700 textos no site e não vi uma lembrança sobre o guarda Luizinho. Aquele excêntrico guardião dos pedestres que atravessavam a rua Conselheiro Crispiniano em frente ao Mappin nos anos 1970. Aos poucos ele foi chamando a atenção de todos pela sua simpatia, maneira alegre e amigo de todos os passantes daquele pedaço da cidade. Apesar de todas suas brincadeiras com o povo, pegando muitos pelo braço, fazendo-os retornar atrás para depois atravessar direito, ou então fazer uma pessoa atravessar por dentro de um Fusca, como a dizer: já que está com pressa passa pelo meio do carro. Mesmo assim ele impunha respeito e fazia todos verem a importância em não atravessar com pressa. Pois a pressa pode apressar a morte por atropelamento. Chamou a atenção da imprensa e logo foi manchete dos tele jornais. Deu muitas entrevistas. Seus superiores também começaram a perceber que um simples soldado estava se destacando mais do que oficiais da corporação. Já estava até dando autógrafos. O ego de muita gente foi abalroado. Quando todos imaginavam que o guarda Luizinho seria outorgado com um troféu ou medalha de hora ao mérito, eis que ele é retirado do seu local de trabalho, onde estava por alguns anos. O cruzamento do Mappin ficou ao Deus dará. Sua falta começou a ser sentida. Os comentários eram os mais variados. O povo falou alto. Os pedidos foram feitos através da imprensa, e seus superiores se sentiram atingidos. Não demorou muito o guarda Luizinho voltou a seu local de trabalho preferido. Mas não era mais o mesmo homem alegre e brincalhão. A magoa machuca muito as pessoas. Chegou a ser candidato a deputado ou vereador, não conseguindo êxito. Hoje fica a lembrança e a saudade dele.
Por onde será que anda o guarda Luizinho?
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