A rua da minha infância

Dou início a idéia para quem quiser escrever sobre a Rua (Avenida, Praça, etc.) onde passou a infância ou juventude, informado detalhes do ambiente, pessoas, amigos, datas marcantes e outros.<br><br>Boa parte da minha infância e juventude passei na Rua das Acácias (hoje Pássaros e Flores) localizada no Brooklin Paulista (Velho). A rua das Acácias iniciava na Av. Santo Amaro ao lada das "MARCAS FAMOSAS" e terminava na antiga fábrica da DUREX. Era estreita de terra e sem árvores. A nossa casa alugada, pequena, térrea e geminada não existe mais. Dos nossos vizinhos destaco a Dona Olga, Sr. Ruzzi cujo filho Cláudio era o nosso amigo. Foi na casa dele que assistíamos televisão (televizinho) os desenhos animados. Sr. Ruzzi com seu carro Perfect nos levava a passear. Várias vezes passamos a passagem do ano junto com eles assistindo a corrida de São Silvestre. Eram pessoas muito bondosas e humanas e agradeço muito tudo o que fizerem para mim.<br><br>A Heleninha, o meu primeiro amor (platônico), morava em frente à família Ruzzi. Menina bonita, estudava no Caetano de Campos, mas não dava "bola" para mim. O pai dela era uma fera. <br><br>Por ser rua de terra podíamos organizar festas juninas com as tradicionais fogueiras. Os vizinhos se juntavam para torná-las deliciosas com todo tipo de comida e fogos de artifício. O meu pai não se conformava com a compra dos fogos e dizia: "como estas pessoas podem queimar dinheiro com fogos!"<br><br>No empório Alarcon comprávamos tudo o que era necessário. Funcionava nos moldes da época dos anos 60: Óleo comestível era vendido a litro, uma bombinha manual extraia o óleo de um tambor e transferia para uma garrafa vazia de vinho. Bolachas eram acondicionadas em latas (com um pequeno visor que determinava o seu nível) e pesadas para serem vendidas. Arroz, feijão, açúcar, farinha, quirela, milho, etc, ficavam expostos em sacos de 50 kg. Lingüiça e paio vinham em latas grandes da Serrano bem como a manteiga. Tudo registrado nas famosas cadernetas e se pagava no final do mês.<br><br>As brincadeiras eram jogar bolinha de gude, empinar papagaios, brincar de mocinho e bandido, andar de bicicleta (dos outros pois não tínhamos as nossas). E assim a vida passava lenta mas plena de esperanças e a vizinhança completava a família que havia ficado para bem longe na Holanda.<br><br>e-mail do autor: [email protected]