Minha primeira viagem a São Paulo

Ano de l953, mês Dezembro, fim do ano letivo, 1ºano primário, após os exames finais rigorosos, nota mínima p/ser promovido p/ o 2º Ano (50). Tive a felicidade de obter a Nota mais alta que era 100 (hoje 10). Recebi muitos elogios e Presente da Professora, e o presente que jamais será esquecido por mim foi o que recebi do meu irmão mais velho que já residia em São Paulo havia 8 anos. Ficara sabendo que eu tinha recebido a melhor Nota e veio me buscar para passar as primeiras férias escolares em sua casa. Após dois dias de muita preparação, cortar cabelo, comprar algumas roupinhas, terno de casimira azul marinho, uma boina azul, camisa e meias brancas, sapatos pretos, aliás o 1º sapato que coloquei nos pés porque até então não tinha nem um chinelo para usar, ia à escola descalço, com calça de saco alvejado e tingido e camisa branca alvejada. Nossa viagem se deu em 18 de Dezembro de 1953, pelo Trem da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, às 3:40 da tarde. Mas até que chegasse esse momento, muitos fatos ocorreram, pois naquele tempo era tudo mais difícil em termos de comunicação, tendo eu mesmo que chamar o táxi, naquele tempo (Choffer de Praça), hoje taxista, não tínhamos telefone e com isso voltei umas três vezes na casa do Choffer só de medo que ele esquecesse de ir nos buscar e perdermos o TREM. Naquela época não se falava em carro, o nome era automóvel ou tomove.
Chegada a hora, partimos com destino ao maior sonho, conhecer São Paulo, depois de tantas surpresas, naquele trem de luxo, madeira envernizada, lustres de cristal, vendedor de empadinhas, coxinhas, guaranás, doces e amendoins, revistas e jornais, que eu achava tudo muito bonito, mas porque era tudo pelo bolso do irmão, chegamos na Estação da Luz, onde já fiquei atordoado com toda aquela iluminação de neon de todas as cores, barulho e gente que ia e vinha. Saímos pelo Jardim da Luz e tomamos um lugar em bonde aberto, que pra mim era tudo vagão de trem, na primeira esquina eu queria a todo custo pular de cima, pois vi um fogo azul e um estouro onde ficava o Motorneiro. Chegamos à Vila Madalena e por um mês passei a conhecer a cidade que hoje a tenho com muito amor e carinho como se fosse eu aí nascido. Sou Paulista e tenho muito orgulho de ser um Paulista, e muita coisa que em outra ocasião eu complementarei, pois o espaço não me foi possível terminar minha história. Obrigado p/Oportunidade.