As Janelas do 7º Andar

A pracinha por menor que pareça ser, não esconde o encanto que outras maiores não têm; talvez por ser despretensiosa na decoração, nem sequer uma fonte com repuxo d'água possui, apenas uns poucos bancos de cimento, uma erma com o busto de um homem importante de outrora, mas os dois ou três Jequitibás frondosos e altaneiros emprestam à pracinha a graça do encanto que as outras não possuem. Que dizer da sua brisa refrescante nestes dias abrasadores? O número de pessoas que a procura é testemunha do bem estar que ela proporciona. Sou seu fã incondicional não só do verão, mas de todas outras estações do ano. Lá fico por longo tempo contemplando o vai e vem das pessoas, dos carros, e porque não dizer de algo mais concreto que o meu interesse pessoal teima em me levar sempre no mesmo banco, onde o ângulo de visão leva o meu olhar alçar vistas sempre às janelas do 7º andar do prédio em frente. Manias à parte, o número 7 sempre me exerceu um certo fascínio. A afluência dos devotos na igreja que fica no lado oposto, sempre atraiu minha atenção na figura de uma mulher elegantemente trajada, que com certeza a conhecia, e de cuja amizade privei-me por alguns anos. A lembrança desse fato aguçou-me a curiosidade, o que motivou a descoberta das janelas do 7º andar. Apesar da minha insistência, nunca mais a vi a caminho da igreja. Só sei que ela mora no 7º andar. Agora fico a olhar as 10 janelas desse andar, mas de uma coisa tenho certeza, ela não é de janela. Bem, agora aposentado, e com todo o tempo que a vida me permitir, vou vigiar as janelas do 7º andar, e a entrada da igreja. De uma coisa vocês caros leitores tenham certeza, não deixarei de contar-lhes o encontro que se dará, e o que dele resultou.