Sempre fui muito metido com relação às artes. Não teve ramo artístico que eu não me envolvi. Na área da música eu não fui muito feliz embora tenha dado alguns pitacos que considerava de boa qualidade.
Cantando, embora tenha participado de vários programas na antiga Rádio Cultura que tinha seu auditório na Avenida São João quase esquina com a Avenida Duque de Caxias em programas infantis e depois como calouro, na Rádio Tupi com auditório no alto do Sumaré (Clube Papai Noel do Homero Silva), mas nunca tive qualquer chance.
Nunca consegui tocar nenhum instrumento musical, os instrumentos de percussão eram mais confortáveis e me dava bem tocando maracás, bongô, afoxé tamborim etc., etc. e tal. Também nenhum progresso notável.
A única coisa que consegui na MÚSICA foi uma educação musical muito boa e um bom gosto apurado aliado a uma excelente memória.
Ainda no campo musical, tive várias incursões na área de compositor. Aliás, nessa modalidade eu me lembro das noites que íamos eu e minha esposa, o meu amigo, irmão e parceiro Jose Carlos, para a casa do outro parceiro Fernando, compor marchinhas de carnaval que nunca foram gravadas. Mas era bom, pois enquanto ficávamos discutindo rimas a Cida e a esposa do Fernando, minha irmãzinha Rose, ficavam fofocando e fazendo quitutes para os grandes compositores.
Um dia, depois de compor uma das melhores marchas-rancho de minha lavra, com o título significativo de PIERRÔ NOVA SINA, resolvi que ela deveria ser apresentada a um cantor, ídolo meu, de nome Francisco Egydio. Disse mais, se ele não viesse a gravar a marcha ninguém mais gravaria.
Naquela época eu estava recém casado e trabalhava numa concessionária da Ford (Lara Campos) na Rua Pinheiros juntamente com meu camarada o José Carlos.
Um dia, cheguei no trabalho doido de raiva (havia discutido com minha esposa). O Zé depois de várias tentativas de me acalmar resolveu me propor que saíssemos ao final do expediente e fossemos dar uma volta antes que eu fosse para casa, no intuito de me acalmar um pouco mais. Concordei.
Ao término do expediente, passamos na casa dele (Rua Groenlândia), pegamos o Gordini que ele já comentou em um dos seus textos, e saímos rodando.
Eu sabia por ouvir falar, que a casado Francisco Egydio era próxima do Autódromo de Interlagos, e para lá nos dirigimos.
Rodamos Interlagos de cabo a rabo e nada de encontrar a referida casa, naquela altura uma torrencial chuva caia sobre Sampa, e nós não desistíamos, paramos para abastecer num Auto Posto em frente ao Autódromo e enquanto abastecíamos o Gordini perguntei ao frentista se ele não sabia onde morava o cantor, ele deu um sorriso e virando-se para o lado direito disse: – É naquela casa ali.
Aliviados e com a casa indicada, pagamos o combustível e nos dirigimos até o local. Tomei um grande banho de chuva para ir apertar o botão da campainha (coisa que fiz diversas vezes) e nada de sermos atendidos.
Molhado e com o ânimo mais abatido ainda, resolvi aceitar o conselho do Zé e voltamos.
Ele me deixou na porta de casa (Rua Maria José, 72 – Bela Vista) eu entrei em casa, disposto enfrentar novos problemas.
Nada! Fui recebido com carinho e percebi que a noite ainda me daria prazer.
Ah!!! A música, foi pro fundo do baú e eu ainda hoje, de quando em vez, recito seus versos que são assim:
PIERRÔ NOVA SINA
Neste Carnaval
vai ser tudo alegria.
Neste Carnaval
vai ser tudo poesia.
Nós pela Avenida
jogando serpentinas.
Eu serei Pierrô,
e você a Colombina.
Vamos viver
um novo romance.
Vamos fazer
um novo final.
Eu vou te amar,
Você vai me amar,
neste Carnaval.
Vamos fazer
chegar ao fim.
As vitórias de
Arlequim.
Pierrô
Vai Ter nova sina.
Vai Ter o amor
de Colombina.