Vila Guilherme "Revelando São Paulo"

Não sei por que "cargas d'água" eu e meu amigo Edmundo, que é um andarilho nato e conhece lugares por aí afora, resolvemos sair de Santo Amaro e "procurar" a festa na Vila Guilherme, onde anunciavam várias apresentações de todo o interior paulista.

A intuição nos levou! Ué, ao invés de irmos a cada cidade do interior para ver suas características típicas, elas vieram para a "capitar" para mostrar um pouquinho de tudo o que eles representam para o estado!

Na cidade de São Paulo "tudo é pertinho, um tirinho de espingarda" (embora o trânsito deixe tudo longe!), e assim fomos ao bairro "oriental" da Liberdade, pegamos o ônibus Vila Medeiros e lá fomos nós ver o "que São Paulo tem de caipira!" Quase "não gosto disso", minhas "veias" estão impregnadas de sangue caipira, acompanhado de meu amigo "paulistano sertanejo da Bahia!"

O trajeto do centro de São Paulo até o Parque da Vila Guilherme – Trote é rápido, assim desembarcamos e nos dirigimos a um pavilhão enorme, que havia sido planejado para instalação de uma tecelagem, que não se concretizou, conforme relatou um morador da região. O local amplo estava repleto de barracas sortidas, desde comidas caseiras, arroz com suã de porco e outras carnes variadas, acompanhada de mandioca, farinha de milho, "pimentaiada" de todo tipo, havendo também pão recheado com "um montão de coisas", sendo um dos compostos o coração da bananeira, tudo isso era chamado "buraco quente"; além de doces de todo tipo, cachaças, licores, vinhos, sucos disso e daquilo, enfim, tanta coisa que a gente nem sabia o que escolher.

Havia, além disso, em todo complexo, exposições variadas com barracas indígenas com sua arte natural e coloridas de colares, braceletes, chocalhos, somadas as diversidades de outras etnias, afrodescendentes, ciganos, árabes, em um local harmônico. Mesmo com todas as diferenças, estava tudo certinho, com cada coisa sendo apresentada ao seu modo para dar a tonalidade da alegria. Muitas obras artísticas estavam expostas, artesanatos variados, muita tecelagem e teares manuais, entalhes em madeira, cerâmica, obras primas de admiração e beleza.

Em um primeiro momento ficamos surpresos, sem um entendimento claro, era muita coisa "tudo junto e misturado", pois no meio onde antes havia o trote da Vila Guilherme estavam também carros de bois, cavalos, asnos, marrecos, galinhas, cabritos, um recanto de selaria de montaria de animais. A gurizada nem piscava e nós também não!

Repentinamente começou um falatório transmitido em todos os recantos, um chamamento partia dos alto-falantes, para que todos se dirigissem para um grande palco onde, em ato ecumênico, seria celebrado o "Dia Internacional da Paz", com preces em vários dialetos, muitas línguas estrangeiras, cantos ritmados de povos variados, em uma grande corrente voltada para o ideal maior da busca incessante do homem, sendo que o evento estava sendo filmado e transmitido em rede com outros países.

Muitos estandartes representavam as irmandades de todos os recantos, além de andor florido, banda musical que, após as apresentações de palco de cada grupo, acompanharam um cortejo em fila dupla rumando à pequena capela local onde os santos venerados foram colocados em seus retábulos depositários de origem. Depois dos ritos finais, todos retornaram para uma grande fogueira formada no meio do terreiro e para a continuação da festa montada do 16º Festival de Cultura Paulista Tradicional, no Parque da Vila Guilherme – Trote, uma festa digna da grandiosidade de São Paulo e sua gente. O acolhimento da Vila Guilherme é motivo de agradecimento, uma festa que tem o propósito de revelar as qualidades e identidade de São Paulo.

O realejo tocando uma música acionada pelo "maestro" Zezinho e seu "assistente", o periquito Chiquinho, haviam tirado na entrada nosso "horóscopo", que dizia: Hoje é um dia de sorte, e foi!

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