Xuxá, a revistinha

Quando vejo a rainha dos baixinhos, Xuxa, na televisão, me lembro da revista semanal Xuxá (prestem atenção no assento da ultima letra). Era uma revista lançada em 1950, em que a história tinha seqüência na semana seguinte. Xuxá era um garoto que tinha uma missão. A de levar a um determinado quadrante, um documento secreto. Para que esse documento não fosse desviado ou roubado por quem não tinha interesse que chegasse ao destinatário, ele foi colocado na base de uma caixa de engraxate como se engraxate fosse ele. Xuxá tinha uma companheira. Chamava-se Tininha. O desenhista dessa revista caprichou tanto na Tininha que até eu, que tinha dez anos, fiquei gamado nela. Imagine o Xuxá então. Ele a defendia com unhas e dentes quem dela se aproximasse com más intenções. Defendia também o documento que carregava, pois alguém ficou sabendo que ele era o portador daquela entrega. Muita volta deu aquela história. Mas um dia Xuxa se deparou com um menino que hoje chamamos menino de rua. Era Tigrinho, um garoto sujo, descalço, roupas rotas, que ao ver Xuxá e Tinhinha teve aquele relance muito comum, quando um garoto da periferia vê alguém bem vestido e educado. Filhinho de Papai, Viado, Playboy, Burguesinho e outros que tais. Ao ofender os dois, não viu a mínima reação, e sequer levou uma resposta. Foi o bastante para dar um tremendo soco na cara de Xuxá, caindo este ao solo sem levantar. Estava o jovem missivista secreto fragilizado por muito cansaço. Daí para frente Tigrinho ficou amigo da dupla Xuxá e Tininha, os tendo como irmãos. Sendo ele responsável em defendê-los em grande parte da história por ser mais malandro que os dois. Quando a caixa de engraxate foi roubada, restou o negativo da foto, um tubinho que ficava pendurado no pescoço como se fosse uma medalha. Quando Xuxá estava na iminência se ser descoberto com aquele negativo, foi Tigrinho quem colocou no pescoço para dar maior segurança contra o roubo. Era um tempo em que as histórias mesmo com lances de violência, eram tão bem contadas que não influenciavam ninguém a ser muito violento.