Ela e eu

“Não existem coisas mais aleatórias do que as recordações” (A. G., 2012). Por diversas vezes ela e eu tivemos a oportunidade e o prazer de na ACLIMAÇÃO passear pelo belo jardim.

Era frequente nossas crianças, ela e eu irmos à ÁGUA BRANCA a fim de que as pequenas pudessem brincar, se exercitar e se esbaldar no belíssimo e aconchegante parque.

Quem não gosta de doces? Ela e eu éramos apaixonados pelos deliciosos pastéis de BELÉM.

E de comer bem, quem não gosta? Principalmente quando se fala em frequentar restaurantes lá da região do BIXIGA. Ela e eu, comilões numa certa época, sempre que podíamos dávamos uma chegada até lá, sentindo um pouco da alegria deixada por aquelas bandas pelo maravilhoso Adoniran.

Talvez em épocas passadas e na cidade fosse o local escolhido para repouso, destinado ao lazer à meditação, diferente de hoje, mas de qualquer maneira o velho BOM RETIRO foi o local em que ela nasceu.

Nossa cidade é conhecida e reconhecida pela acolhida que sempre deu aos povos que por aqui aportaram em busca de novas possibilidades. Além de povos provenientes de outros países, como portugueses, italianos, espanhóis, orientais, pessoas provenientes de países vizinhos. Um bairro destaca-se pela acolhida dada principalmente aos italianos, como os meus ascendentes, o BRÁS. Até então ela não me conhecia…

Um belo local onde trabalhei por muitos anos, na USP, foi também palco onde as crianças ela e eu realizávamos longos passeios ali nos jardins da Botânica e pelas alamedas arborizadas no bairro cujo nome significa terra dura, o BUTANTÃ.

Há muito tempo atrás, em época muito mais tranquila, ela e eu, satisfazendo uma curiosidade dela fomos ao PACAEMBU assistir a um jogo de futebol. Apesar de torcermos por times diferentes, nunca tivemos, por causa disso, desavenças. Porque ela era uma pessoa de muita LUZ. Não me lembro do resultado, mas isso era o que menos importava. Ela torcia pelo time que tem sede no PARQUE SÃO JORGE e eu no belíssimo MORUMBI.

Apesar de acharmos ser um esporte fascinante, ela e eu nunca tivemos atração pelas corridas de INTERLAGOS.

Eu sempre tive o estranho prazer de passear pelas alamedas de cemitérios observando as sepulturas com suas características de tipo, datas de nascimento de morte e pelas belezas intrínsecas das vidas daqueles que ali se encontram e que atiçam minha mente inquieta. Disso ela nunca quis saber. Tal coisa eu realizava no Araçá, no São Paulo, como também no da CONSOLAÇÃO. Ela tinha tanto pavor de ouvir falar em cemitério que quando eu comprei um terreno no cemitério do JARAGUÁ, ela nem quis ouvir falar em semelhante coisa.

Há muitos anos atrás ela e eu tivemos a satisfação de degustar e amar a deliciosa pizza famosa da FREGUESIA DO Ó.

Creio que todos os que gostam de ver história ao vivo tiveram a oportunidade como ela e eu de fazer um belo passeio ao museu do IPIRANGA.

Por diversas vezes, nos domingos pela manhã, as meninas, ela e eu fomos à praça de REPÚBLICA para ver e às vezes adquirir algo na gostosíssima feira que por lá havia.

O bairro em que morávamos no início não oferecia muitas oportunidades no comércio, de tal modo que ela e eu, por vezes íamos fazer nossas compras na LAPA.

Eu nasci no bairro de PINHEIROS. Obviamente nessa época ela não me conhecia.

Casamo-nos em uma igreja do bairro de SANTA CECÍLIA e depois fomos morar no bairro da VILA POMPÉIA, bairro próximo da depois famosa VILA MADALENA.

Ela e eu por muitas vezes ouvimos perguntas um tanto esquisitas, tais como "Quem pintou a CASA VERDE?", ou então se de fato no TATUAPÉ esses bichos andam assim, ou, pior ainda, "Quem primeiro gritou por SOCORRO?".

Tanto ela como eu sempre fomos aficionados pela bela cozinha, da boa mesa. Chegamos a degustar muitos pratos, mas nunca tivemos a oportunidade de comer PERDIZES.

Ela e eu tivemos a oportunidade de viajar de bonde desde o CENTRO para visitar parentes que moravam no CAMBUCI.

Na LIBERDADE tanto ela como eu tivemos a imensa satisfação de visitar o belo bairro oriental e curtir não só a sua cultura e sua deliciosa culinária. Bairro esse ligado ao onde está a Catedral, a SÉ.

Em uma ocasião, por minha culpa, ela e eu tivemos de pagar uma promessa na igreja de Nossa Senhora da PENHA. Isso não impedia que fossemos devotos tanto de Santa Rita como também de SANTANA. Muitas outras pessoas são devotas de outros santos como SANTO AMARO, SÃO MIGUEL e SÃO MATEUS.

De vez em quando gostávamos de ser curiosos e indagávamos qual a razão de nada historicamente ter acontecido de característico para um bairro chamar-se VILA ROMANA. Achávamos também estranho o nome BARRA FUNDA.

Ela e eu gostávamos de café, também conhecido como MOÓCA. Por vezes ela me acompanhou até a VILA CLEMENTINO, onde eu havia estudado, bairro adjacente à VILA MARIANA.

Tivemos um casal amigo morador no ITAIM e lá fomos “filar a boia” algumas ocasiões.

Como gostávamos de um belo chope e da inigualável comida alemã, íamos, ela e eu, quando podíamos a MOEMA, perto do BROOKLIN.

Fiquei emocionado e ao mesmo tempo agradecido na ocasião em que ela, também agradecida, disse: "Os dias mais felizes de minha vida foram os em que PARI nossas filhas".

Apesar de sempre gozar de excelente SAÚDE, certo dia uma insidiosa doença a acometeu com tal violência que ela precisou ser internada em um hospital em HIGIENÓPOLIS. Porém de nada adiantou. Hoje ela mora no cemitério de CONGONHAS.

Durante várias décadas ela e eu compartilhamos a vida juntos. Abateu-me o fato de não termos tido a oportunidade de nos despedir.

Mas ela e eu continuamos fazendo as mesmas coisas, porém, agora, em sonhos.

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