Tive a honra e a felicidade de conhecer, participar e conviver com esse ilustre sacerdote paulistano na minha passagem pela Igreja da Imaculada Conceição, pelos idos dos anos 50. Era ele filho de uma ilustre família italiana, vinda para o Brasil em 1912. Sua mãe era descendente da dinastia de um nobre barão italiano. Em virtude da morte do patriarca da família, sua avó materna, dona Carolina, uma insigne senhora membro do clã da alta nobreza italiana, devido circunstâncias adversas daquela época, veio para o Brasil com dez filhos a bordo do navio “Tommaso Di Savoia”, chegando ao porto de Santos no dia nove de julho de 1912. Deixaram para trás muitas propriedades na Itália, lembrança da história de seus antepassados, senhores feudais de um castelo medieval na região do Abruzzo, na província de L'Aquila no território do Grande Sasso no Monte Morrone, na comuna de Roccacasale na Itália.
Frei Celso nasceu em São Paulo aos 29 de março de 1917 e faleceu depois de muito sofrimento no dia 27 de agosto de 1987, onde estive presente no convento franciscano dos capuchinhos da Imaculada Conceição em São Paulo, dando-lhe uma assistência humana, pois ele era muito meu amigo. Frei Celso de São Paulo, segundo os dados fornecidos pelos seus familiares, especialmente por uma de suas irmãs, foi batizado no dia 9 de dezembro de 1917 na Igreja da Boa Morte no bairro da Liberdade, pelo cônego Luiz Sangirardi e crismado a 22 de Dezembro de 1935 por Dom José Gaspar de Afonseca e Silva.
Segundo a sua irmã, a primeira Eucaristia foi realizada na igreja de São Gonçalo, em São Paulo. Na sua vocação adulta entrou para o Seminário São Fidelis de Piracicaba com 20 anos de idade, aos 14 de janeiro de 1937. Durante esse tempo, foi congregado mariano e trabalhou como telegrafista na Cia Paulista de Estrada de Ferro na Rua Libero Badaró durante dois anos, antes de entrar para o seminário e noviciado. Vinte dias depois de sua entrada para o Seminário, aos 3 de Fevereiro de 1937, vestiu o hábito franciscano capuchinho e iniciou o noviciado no convento Sagrado Coração de Jesus, em Piracicaba, perante Frei Eliseu de Cavedine, na ocasião, Provincial de Trento que visitava a missão no Brasil.
Emitiu a profissão perpétua no convento de São José, em Mococa, aos 5 de Fevereiro de 1941. Em 1942 recebeu a Primeira Tonsura das mãos de Dom Manoel Silveira Delboux, arcebispo de Ribeirão Preto. Terminou os seus estudos teológicos em dezembro de 1943. Frei Celso exerceu o ministério sacerdotal nos conventos e paróquias de Mococa, Santos, São Paulo capital e Taubaté. Em Mococa, foi professor do convento de São José. Como professor lecionou Literatura Latina, Biologia e Música para os estudantes de Filosofia. Já em Santos, trabalhou na paróquia do Embaré onde exerceu o ministério sacerdotal. Como assistente Eclesiástico do Circulo Operário do Embaré, organizou a Ação Sindical Cristã nos Sindicatos dos Ensacadores de Café, Estivadores do porto de Santos, dos Bancários, da Administração do Comércio do Café, dos Agentes Portuários e Conferentes de Carga de Descarga.
Como assistente Eclesiástico dos Círculos Operários em 1957, quando o conheci permaneceu em São Paulo no convento da Imaculada Conceição, como assistente Eclesiástico dos Círculos Operários do Estado de São Paulo, organizando os cursos de Liderança, de Ação Social nos sindicatos dos Metalúrgicos, Bancários, Gráficos, Comerciais, Massas Alimentícias, Empresas Comerciais em Combustíveis, organizou o Movimento Sindical Democrático e a preparação da Universidade do Trabalho e a Federação de Trabalhadores cristãos do Estado de São Paulo.
Em 1964 lhe foi confiada à responsabilidade de diretor da revista "Anais Franciscanos" e em 1966, permaneceu em São Paulo, como diretor Gerente da Editora Franciscana. Em 1971 publicou uma Coletânea organizada e anotada por ele sobre as Encíclicas e Documentos Sociais da igreja, da "Rerum Novarum" de Leão XIII a "Octogésima Adveniens" de Paulo VI. Seu ministério de Assistente Eclesiástico dos Círculos Operários estava baseado na doutrina social contida nos documentos da Igreja.
Depois de tantos anos de luta, prostrado no leito no convento da Imaculada Conceição, cercado de cuidados médicos e de enfermeiro particular onde estive nos seus derradeiros momentos de vida, cercado pelas suas irmãs Gina e Carolina o amigo e sacerdote Frei Celso de São Paulo cansado e sedento entregou seu espírito ao Criador, voltando à fonte da vida, à luz e verdade de seu coração.
Faleceu no Convento da Imaculada Conceição, em São Paulo no dia 27 de Agosto de 1987. No diagnóstico médico está anotado a causa da morte: "arteriosclerose cerebral, esclerose múltipla e mal de Parkinson”. No dia 28, na festa de Santo Agostinho, às 15h, foi celebrada a missa exequial, presidida pelo Ministro Provincial Frei Ismael Martignago, concelebrada por Dom Mauro Morelli, bispo de Caxias e São João do Meriti no Rio de Janeiro, pelos sacerdotes presentes, com a participação dos fiéis, dos amigos e familiares. Às 17h foi sepultado no cemitério do Santíssimo Sacramento, na Avenida Doutor Arnaldo em São Paulo, no jazigo dos Frades Capuchinhos. Ele viveu 70 anos dos quais 49 na vida religiosa Franciscana. Capuchinho e 44 anos a serviço da igreja no ministério sacerdotal.
Antonio De Sanctis era o seu nome no registro de nascimento. Muitos frades viveram tantos anos com outro nome recebido na “vestição” do hábito religioso que, mesmo voltando ao nome de batismo e civil, eram chamados pelo nome religioso. Frei Celso de São Paulo querido, muito inteligente, mas modesto; muito reto, mas não orgulhoso; muito observador das regras, mas sem impô-las; muito amigo deste que escreve a sua biografia mas sem intimidade; muito piedoso, mas sem pieguice. Apesar de grande, muito bom e compreensivo sofreu horrores pela consciência escrupulosa que o acompanhou por vários anos. A consciência o fez mártir da fé que sempre foi muito intensa nele. A ele o meu sentimento de admiração e saudades.
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