Cidade A. E. Carvalho meu amor

Belos tempos de A. E .Carvalho… A conheço desde 1963 quando meu pai comprou um terreno do número 10/25 – antes era tudo por número as ruas. Lembro que a minha Rua era nº 46, quadra 49, lote 8 – hoje é Rua Câmara. Antigamente era tudo terrão vermelho.

Energia elétrica não existia ainda, a noite existia apenas a luz do luar; tudo na mais completa escuridão. Água encanada nem pensar! Cada casa tinha um poço atrás da casa e na frente tinha uma fossa que nós mesmos fazíamos. Quando o poço secava a gente recorria às bicas d’água. Tinha uma perto da estação de trem Artur Alvim, que hoje é um terminal de ônibus. Tinha uma bica na viela que ficou por muito tempo ativa ainda, mas eu não sei se ela existe ainda. Era numa viela travessa da Rua 49 – hoje Rua Taperuçu; a outra era lá perto da Av. Esperantina a COHAB era tudo eucaliptos.

Lá cacei muito; tinha tatu, lagarto, gambá e outros bichos, lá matei muito passarinho – coisa da época. Depois a gente ia nadar nas lagoas, tinha uma que a gente chamava de Jacarezinho, que era quase numa gruta, ali onde está sendo construído o Estádio do Timão – “Olha o progresso ai gente!”.

Quem tinha que trabalhar tirava uma foto 3×4 onde na Foto Vado, que era de um japonesinho (o nome eu esqueci). Tinha o Bar do Saul ali perto e o depósito de construção do Valdir, que existe até hoje. Na A. E. Carvalho cada um tem um tijolo comprado no Morgado.

E estudei logo no começo, tinha um grupo de tábua na Rua José Giordano, mas só foi um ano lá. Depois fui para o Milton Cruzeiro, lá embaixo na Campanella, onde fiz o primário completo e peguei meu primeiro diploma. Lembrei-me da professora Dona Bene, essa eu lembro as outras me desculpem, mas eu esqueci. Antes a gente fazia disputa para ver quem ia levar a bolsa da professora até o ponto de ônibus. Hoje em dia coitada da professora! E olha que eu ia a pé todos os dias lá da Rua Câmara até a Alamandas, onde fica o Ginásio Milton Cruzeiro, e não faltava na escola senão tinha que ver a cinta do meu pai.

Como todo moleque gosta de bola também fizemos nosso campo de várzea com enxada e
Enxadão, arrancando toco de árvore e tirando o mato capinado. Fizemos nosso campinho de futebol, que hoje é o terreno de um CDC São Luz, ao lado da Creche. Nosso time no começo se chamava Ouro Fino, mas logo mudou para Alvorada, por causa de um trem que passava beirando a linha que tinha horário para passar com esse nome. Depois o outro nome, que permanece até hoje, é E.C. BANGÚ. Seus diretores eram o Sr. Lázaro e Sr. Milton, o braçinho o time do Bangú. Lembro-me de alguns nomes: Didi, Mazzolinha, Binho, Miguel, Zequinha, Orlando, Tigrão, Nego, Pitter, Jaime, China, Varginha, Adão, Bill, Betona, Pelé, Ademir, Fogueira , Bazinho… Ainda tem muito mais! Havia grandes boleiros. A sede do clube era na rua da minha casa. Os primeiros uniformes foram de saco de estopa feito pela Dona Amélia, mãe do Paulinho Queiroz, e tingido por nós – a molecada. Minha mãe, Dona Josefa, viva até hoje graças a Deus, era quem lavava os fardamentos. Também tinha o time do Brasil comandado pelo Alcides.

Quando jogava Bangú e Brasil a casa ficava cheia, digo o Morrão ficava lotado. O coletivo era o trenzão lotado mesmo e de porta aberta. Cansei de varar a estação… Eu e minha turma tínhamos de ficar espertos! Lá em cima na Av. Rui Barbosa, hoje Águia de Haia, o ponto de ônibus era na farmácia Rosana – existente na época. Lá também bem pertinho tinha a padaria do Sr. Luiz ; comprei muito pão lá e tomei muita cachaça nesta padaria. “Oh” dono gente boa esse português da Ilha da Madeira, junto com seus filhos – tem um que trabalha lá até hoje, o Luizinho.

Eu sou um dos sobreviventes daquele ônibus que caiu quando não existia nem a Av. Salim Farah Maluf. O ônibus despencou daquele viaduto na Mooca… Morreu muita gente, pois o socorro praticamente não existia… Umas 70 pessoas que eu saiba morreram naquele acidente, foi muito trágico, nem quero lembrar.

Quero me lembrar sim da Cidade A. E. Carvalho , um belo bairro! Que saudades me dá daqueles tempos… Ainda volto lá, pois tenho uma casa que meu pai, o Sr. Gabriel, deixou de herança para nós lá. Vou sempre à missa na Paróquia Sagrada Família aos domingos. Minha primeira comunhão eu fiz na Igreja de Santa Luzia, lá no Jardim Nordeste. Fiz meu catecismo para fazer a primeira comunhão.

Obs.: Gostaria de quem é desta época é conhece estas pessoas para a gente se comunicar, pois tenho muitas coisas boas para lembrar.

E-mail: [email protected]