Ligo o meu som e uma música me chama a atenção. De volta ao passado. Então ela na penumbra do meu apartamento aqui em Joinville – SC, e como por encanto me faz lembrar num piscar de olhos os momentos de minha existência no querido bairro de Santana, em São Paulo: a minha infância, a juventude, a maturidade é resgatada. É o túnel do tempo…
Sou jovem, estamos no ano de 1965, a minha Santana continua linda, a Voluntários, o Texas com suas lojas oferecem uma magia toda especial; parece que o Bazar Santana fechara as portas, pois anos atrás eu compraria lá o meu material escolar exigido pela professora Nadir do Grupo Escolar Buenos Aires, onde conclui como primeiro aluno para minha surpresa o curso primário.
Epa, como está excelente a programação dos Cines Hollywood e Vogue, sendo que neste está passando um filme do Elvis. Billy sabe da última, até diria ao Cesar, uns dos meus sinceros colegas, que provavelmente construirão um metrô com início atrás da Igreja. Pensei então com meus botões: acabará o sossego, o bonde está fadado a ser extinto. Ainda bem que tem o elétrico que me leva diariamente ao trabalho lá na Cássio Muniz. Sou um feliz funcionário, comecei como office-boy nesta loja localizada junto aos encantos da Praça da República.
Para o Carlos, então, eu diria, ele que era companheiro de serviço: “Está passando um filme fantástico no Metro, ‘Sete noivas para sete irmãos’ e outro muito romântico ‘Férias de amor’ no Ipiranga, que tal? Vai assistir?”. Meu colega não podia, pois tinha que estudar o curso de Madureza; então ia para a casa do Cesar, lá no alto de Santana, que está programando um baile familiar na casa da Marli, uma das mais lindas garotas do bairro. Pudera ela estuda no Colégio Santana, local das mais belas estudantes. A noite reservaria emoções ao dançar de rosto colado com aquela garota desejada ante o olhar severo das tias solteironas. Cesar sabe da última, diria depois ao amigo.
Formei-me contador no Colégio Vitor Viana, foi com sacrifício, pois não podia pagar as mensalidades do Colégio Santana que eram mais caras.
Alguém em sã consciência estranharia o titulo dessa história, lembraria a frase italiana sobre Nápoles… É que Santana marcou muito em etapas a minha trajetória de vida: o local dos bancos escolares, da poesia dos flertes, dos amores platônicos, dos bailinhos quando o romantismo do rosto colado nos levaria as nuvens, das missas na Matriz onde a gente procurava o apoio espiritual, do contato dos pais que nos guiaram para seguir através dos tempos o caminho certo…
Santana era mágica onde se solidificavam as amizades sinceras. Acordei, tudo mudou… O inevitável progresso veio praticamente tudo modificar, porém num momento essa magia santanense veio no meu pensamento como lenitivo. Meu sonho,meu passado. Ver Santana e depois morrer…
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