As esquisitices

Cheguei para tomar posse num prédio muito antigo na Avenida Prestes Maia. O elevador só alcançava até determinado andar e depois para continuar precisava subir escadas e entrar em outro; começava a esquisitice. Fila de gente num sobe e desce, não adiantava qualquer pressa, talvez só fazer prece.

Os diretores eram doutores, catedráticos e ficavam imersos em seus gabinetes. Hoje, mais jovens e próximos. Papéis e processos invadiam qualquer espaço e ainda persistem. Lembro que cálculos eram realizados em pesadas calculadoras.

Certa vez um funcionário falante, simpático, com uniforme azul e boné virou carinhosamente o nosso “Guarda Belo”. Hoje, terceirizados. “Ah” e todos os funcionários, sem exceção, trabalhavam de segunda a sexta e que diferença era no resultado da equipe.

Mais tarde, a novidade: a máquina de escrever elétrica, imaginem, um sonho! O som das teclas anunciavam novos tempos; mais rapidez e nitidez. Ninguém mais queria usar as velhas máquinas manuais.

E a chegada do computador então? Raridade e maravilha. Privilégio de poucos para acesso; na era da informática, torre não é mais só uma estrutura, nem janela o que está numa parede. A tecla delete é mágica; elimina o que não convém. Copiar e colar virou prática corriqueira.

Com colegas e pacientes alianças, esperanças, festanças, apoio e alívio; no convívio, permanente aprendizagem e ensino.
Agora, um mar de emails urgentes, exigentes, planilhas e respostas imediatas; necessário ter no bolso,no colete, no vizinho, não importa a forma, se vire! Mudou e o mundo se ampliou; ficou plano. Melhorou? Espanto e engano!

Só um detalhe, quem tecla a máquina é gente e quem a olha também. Cadê o humano? Talvez haja um pouco ainda aqui.