Sempre fui fascinado pela São Paulo "Antiga". Quando estudava (quando as escolas estaduais tinham ensino de qualidade) sempre participava das excursões aos museus da cidade. O tempo passou e logo consegui meu primeiro emprego. Office-boy. Era tudo maravilhoso, passar o dia inteiro passeando pela cidade e descobrindo lugares históricos, porém novos para mim.
As "andanças" que mais adorava era pelo centro da cidade, e todos os dias passava pela galeria do Chá, aquela passagem subterrânea entre o Mappin (Casas Bahia) e o prédio da Light (Shopping) que está fechada há anos, o que é uma pena pois sempre haviam exposições de arte naquele lugar, arte gratuita para o povo, ninguém pensa mais assim ?
Enfim, certa vez passei por lá e estava acontecendo uma mostra de fotografias antigas da cidade e, ao lado de cada foto um painel contendo sua história. Surpreendi-me quando vi uma foto preto-e-branco de um estrada de barro cortando um morrote arborizado com algumas casinhas pinceladas ao redor, era o bairro que nasci: O Bosque da Saúde.
Fiquei estupefato e fascinado ao saber que toda a região era propriedade da Companhia Antarctica e lá funcionava um parque chamado "Bosque da Saúde" onde eram a cerveja era servida para seus freqüentadores. Talvez isso explique, a predileção do moradores deste bairro em tomar uma "gelada" em diversas ocasiões, faz parte da tradição do bairro.
Atualmente moro no Jabaquara, que acabou tornando-se a minha segunda paixão, mas o Bosque da Saúde continua na minha mente, as ruas verdes, as casas térreas, com muros baixos, a vizinhança que se encontrava nas padarias, no comércio da rua Tiquatira, a rivalidade saudável entre alunos das escola Conde José Vicente de Azevedo e Princesa Isabel, as festas juninas nas Igrejas Santa Terezinha e São Francisco de Salles, os bares cheios de são-paulinos, palmeirenses e corintianos, todos escutando os jogos em seus radinhos, o futebol de rua com a molecada, as pipas, enfim, saudades de um tempo bom que tem seu lugar reservado no passado e em meu coração.
Hoje, ao passar pelo bairro desfigurado pelos edifícios e sobrados de classe média-alta, duros, opacos e as ruas agora são tão frias e desabitadas, é uma pena.
Mas fecho os meus olhos e revejo aquele lugar verdejante, com o sol brilhando, as crianças brincando e um povo feliz. O velho Bosque.