Tempos de escola primária, anos 50<br><br>Estava frequentando a escola primária localizada na Rua das Municipalidades e, em razão de ter tirado boas notas, o meu tio Valentim Tangerino presenteou-me, fez um terno preto com calça comprida. O tio Valentim costurava calças para o mais famoso alfaiate do Sacomã, conhecido por "Pedrão Alfaiate", a sua alfaiataria ficava na Rua Comandante Taylor, bem próxima a Rua do Manifesto.<br><br>A estréia, aliás, o primeiro dia que usei o terno preto de calça comprida, ficou na memória, e agora vou contar a história.<br><br>Na época eu residia na Rua Albino de Moraes (Vila Carioca – Ipiranga-SP), lá ia descendo a Rua Antonio Frederico, rumo à escola. Sentia-me um doutor, apesar de ser uma criança, enfim vestia terno. A gente ficava todo gaboso.<br><br>Resumindo, eram 10h30 e pedi para a professora:<br>- “Professora, preciso ir ao banheiro”.<br><br>Mas, não sei por qual razão, ela não permitiu. A barriga roncava… Repeti:<br>- “Professora, preciso ir ao banheiro”.<br><br>As 11h alguém tocou a campainha, assinalando que era hora de ir para casa, aula encerrada. A barriga roncava, eu me segurava como podia. Quando cheguei a Rua Aída, já próximo a "Laminação", me borrei todo. Faltavam quatro quadras para chegar em casa, e o jeito foi ir pra casa, andando bem devagar. <br><br>E ao chegar ao portão já fui gozado, riram de mim pelo terno e pelo odor exalado, e não tinha como negar o fato em si.<br><br>Isso aconteceu porque, o amigo do vizinho ao lado de casa chegou de Pernambuco com um caminhão carregado de côcos, daí toda vizinhança ganhou de presente uma boa quantidade, e eu como nunca tinha saboreado esse produto, exagerei na dose, comi demais.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>