A demolição de Santo Amaro

A Matriz de Santo Amaro, um símbolo a ser preservado, como último baluarte histórico, parece que se tornou um empecilho a expansão desenfreada da cidade de São Paulo e o marco zero do Largo Treze de Maio, da antiga cidade de Santo Amaro. É, no hodierno, uma imagem de estorvo aos grandes investidores capitalistas.<br><br>A Matriz, que no papel é a catedral de Santo Amaro, está escorada por andaimes na parte interna, do lado externo não se vê nada disso, a luta é incessante pela preservação, mas a empreitada é muito difícil, pois parece que os recursos são parcos para manutenção e preservação histórica da mesma. <br><br>Agora, com as obras do metrô (embora a ferrovia já estivesse lá desde 1886, com 19 km, ligando São Paulo à cidade de Santo Amaro) "rasgando o ventre" de Santo Amaro, desaparece todo o glamour da região que já foi cidade independente, agora está sendo aflorada e deflorada em suas qualidades naturais, onde poder imobiliário adquire grandes glebas, anteriormente recursos produtivos e espaço industrial, hoje apenas lembranças de um momento glorioso.<br><br>Isso é história, ela caminha sempre, não estaciona, e Santo Amaro está passando por um processo de urbanização violento, perdendo sua característica de "interior" pelo franco "progresso", sendo que a historiografia mostra-se resistente e com certo receio desta palavra, como tem da palavra "verdade", que projetam para a sociedade um vislumbre imaginário, fomentando tudo como desenvolvimento e transformação do espaço, mas é outro modelo, a verticalização em detrimento as antigas estruturas horizontais, casas baixas, no máximo um sobrado, que são adquiridos daqueles que um dia fizeram parte da história local, afastando-os para locais mais distantes, lançados fora dos interesses de enobrecimento para constituírem outras periferias, até quando também esta evolução pelo "espaço vital imobiliário" abarcará pelos seus tentáculos de cobiça financeira.<br><br>Avante catedráticos sociais, os da antropologia, urbanistas, e todas as ciências imagináveis preocupadas com o espaço e sua ocupação, levantem das cadeiras, fiquem atentos e corram atrás dessa história, pois Santo Amaro está "desabando" em nome do setor imobiliário que adquire toda antiga infraestrutura anterior, demolindo-a, onde estão de braços dados o político e o econômico em favor de um barbarismo explícito.<br><br>Não pode ser este modelo o ideal da sociedade moderna, o corrompido pelo sistema que "teimosamente" finge e mente querendo demonstrar a sociedade, ser a única condição viável possível. Insistiremos pelos caminhos de Santo Amaro, em cada rua, em cada viela, remando contra a maré, mesmo que não sobre muita coisa desta São Paulo que tem vergonha do seu passado de taipa, com destruição velada, mantendo fachada!<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>