Neste relato que inicio, foco um tema que tenho duvidas de sua aprovação e publicação pela equipe deste site que, sempre antes de liberá-las para os leitores fazem uma analise para ver se o que foi descrito, esta dentro do objetivo principal: São Paulo, e eu digo que sim.
Entre minha adolescência e mocidade, morava no Centro, para ser mais exato no edifício Viadutos, para os que não conhecem este prédio que foi considerado um dos mais bonitos desta cidade, fica em frente a Câmara Municipal, no Viaduto Jacareí, entre o Viaduto Nove de Julho e Rua Maria Paula.
Local de muito movimento diário, pois faz a ligação do Centro Velho com o Centro Novo com muita agitação de pedestres e automóveis durante o dia, somente ao anoitecer torna-se mais ameno.
No horário noturno, aparecia no calçadão em frente à Câmara Municipal algumas moças, três ou quatro que ficavam paradas na beirada deste e permaneciam ali até determinada hora, "trabalhando". Claro que o leitor já percebeu de que trabalho estou falando.
Esta cidade como as outras sempre tiveram pontos de prostituição, o principal chamado de "Boca do Lixo" que abrange as ruas Aurora, Timbiras, Santa Ifigênia e outras próximas, ruas estas que foram elegantes no passado e tornaram-se decadentes com o tempo. A "Boca do Luxo" é outro ponto, próximo a Av. Ipiranga, Consolação, Amaral Gurgel locais de muitas boates, ou seja, ponto para os que tem muito dinheiro ou pouco. São Paulo é maravilhosa por isto, você tem tudo de acordo com as suas posses que tiver no momento.
Sendo muito jovem e descobrindo a vida, acabei conhecendo uma destas moças, seu nome era Nice, que fazia ponto em frente à Câmara. Não era uma miss Brasil, mas tinha traços bonitos e falava como todas falam, que fazia este trabalho para sustento dos filhos ou pais. Verdade ou não esta desculpa não pega. Seu local de trabalho era um apartamento na Rua Santo Amaro, perto do antigo e bom Dakar, que frequentei muito.
O tempo passou segui outros rumos, faculdade, trabalho, mudança de residência e com isto perdi contato com esta moça.
Com o passar dos anos ficam muitas lembranças e num determinado instante que a gente não espera, vem uma das antigas. Lembrei desta moça, que com a sua opção profissional certa ou errada fez parte de minha vida e também de outros e porque não dizer desta cidade. Mesmo sem nunca saber seu verdadeiro nome, tenho respeito, pois acima de tudo Nice é ou foi um ser humano. Ela viveu numa época que as pessoas tinham moral, seu trabalho era marginalizado sim, mas necessário. Isto fazia e faz parte do contexto de uma cidade grande como São Paulo.
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