No primeiro semestre do ano Corinthians e Santos decidiram o Campeonato Paulista. Estes dois times dizem muito ao meu coração. O primeiro porque sou corintiano e o segundo porque era o time do coração do meu tio Walter, precocemente falecido em 1968 e pelas mãos de quem assisti as primeiras partidas de futebol em um estádio.
Era o antigo Pacaembu da concha acústica e do placar manual. Chegávamos ao estádio pouco antes do inicio do jogo, ele comprava a entrada (eu ainda não pagava) entrávamos e sentávamos onde houvesse lugar, apenas no decorrer da partida é que a gente sabia a preferência de quem estava sentado ao nosso lado. Cada um torcia pelo seu time e pronto.
Quando era jogo do Corinthians ele me levava e ia me fazer companhia, quando era do Santos eu ia para fazer companhia a ele. Durante a partida a gente ria e se divertia. Comíamos pipoca, chupávamos picolé e tomávamos “Crush” (lembram-se?). Quando acabava o jogo a gente ia embora para casa. Lembro-me que às vezes minha mãe, quando saíamos, dizia:
– “Olha lá Walter, toma cuidado com meu filho hein!”
O que ele prontamente respondia:
– “Jandira… O que pode acontecer com uma criança, acompanhada por seu tio, adulto, em um campo de futebol?”
E tomando-me pelas mãos íamos os dois felizes e lampeiros para o nosso jogo. E sabem o que acontecia? Não acontecia nada mesmo. Eram os idos anos de 58,59 e 60, eu ainda não tinha uma década de vida e o Brasil era governado pelo presidente Juscelino, democraticamente eleito pelo povo.
Bons, muito bons tempos aqueles.
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