As ruas e seus símbolos

São Paulo, 456 anos.

Passando pelo Brooklin, bairro onde morei por muitos anos, encantei-me pelo nome da Rua Pássaros e Flores, e mais à frente, Rua das Margaridas. Indo para a Chácara Santo Antônio, dou de frente com a Rua Cancioneiro Popular. Já chegando ao caminho de Interlagos, fugindo do congestionamento, entra na Travessa Saveiros de Maroim.

Porém, tinha que retornar, e meu caminho era o bairro de Moema. Saindo da Avenida Santo Amaro pela Avenida dos Eucaliptos, viro para a Rua Cotovia e entro na Rua Pintassilgo, que no meu tempo de garoto se dizia Pinta Silva, tanto nós meninos como também aqueles fanáticos por prender pássaros na gaiola. Daí para frente era “um tal” de ver ruas com nomes de pássaros e aves.

Pavão, Periquito, Graúna, Gaivota, Bem-te-vi, Rouxinol, e Tuim, o menor pássaro que vive em bandos, e mora em casa de João de Barro. É considerado o menor periquito do conjunto brasileiro.

E para completar o viveiro de Moema, no alto de um prédio perto da igreja de Nossa Senhora Aparecida, um painel de publicidade mostrava Brindes Pombo, então, bem em frente, tem uma praça que foi denominada Praça do Pombo.

Quando passo pela travessa Otavio Munis (repórter esportivo), lá vem Rua Macuco, Ave das Matas Virgens e a Jacutinga, ave de bico e olhos azuis. Só não vi a denominação Maritaca, porque em Moema não se viu uma paineira plantada, senão ela seria também lembrada nesse bairro, mas quando vai para a Zona Leste Jardim Lajeado, entra justamente na Rua Maritaca.

Depois que entrei na Rua Inhambu, desemboquei na Rua Sabiá. Aí me lembrei do Sabiá Graúna, que foi o nome da primeira composição sertaneja que minha vitrola tocou em 1953, e também o Sabia Laranjeira que aportava no quintal de minha casa.

Fiquei ali olhando como se estivesse orando. Foi quando uma pessoa que passava por perto, vendo eu paralisado olhando a placa, me disse:
– Quer ver mais nomes de Ruas Sabiá? Vá mais adiante de Santo Amaro.

Então fui, já entrando na Cidade Dutra em que a primeira rua com o nome de pássaro era o Sabiá Poca. E no bairro do Grajaú, a Rua Sabiá das Palmeiras. Pelos lados do Jardim Ângela tinha a Rua Sabiá Coleira.

Para não dizer que só na zona Sul tinham ruas com nomes de pássaros, no Jaguaré (zona oeste) tem a Rua Sabiá Branco e na Vila Gustavo (zona norte), Sabiá Piranga.

E o meu tão decantado Sabiá Laranjeira é nome de rua também da Vila Gustavo. Não vi a Rua Pardal, ele é um pássaro tão comum… Ah, já sei! Esta em "madrigais" foi na onda do Silvio Caldas, mas quando vou à tradicional Festa Junina da Portuguesa de Desportos, deparo-me com a placa no bairro do Canindé. Rua Pardal.

Com tantos nomes de pássaros, só faltava ter a Rua Alpiste. E não é que ela existe? Fica no Jardim Eliana, zona Leste.

Então retornei à minha casa passando pela Vila Uberabinha, Vila Olímpia, Brooklin, escalando pela Chácara Santo Antonio, e retorno para cantar na Rua Cancioneiro Popular o disco que estava gasto de tanto tocar: O Sabiá Graúna, que comigo cantava, todas as manhãs, “sou menino passarinho com vontade de voar”.

Os pássaros são "cantantes". E o João de Barro, embora nome de música não sei se cantava pelo menos não se ouvia, era um pássaro solitário não estava em nenhuma placa de Rua da cidade de São Paulo, porque se fechou em copas.

Estando no bairro do escultor Julio Guerra, pensei:
– Quem sabe o artista fez algum pássaro gigante para expor no bairro que ele gostava tanto de mostrar seus trabalhos?

Pássaro não vi, mas no meio da Avenida Santo Amaro vi um gigante feito por ele que estava com uma espingarda na mão. Reconheci. Aquele é o Borba, será que ele está caçando passarinhos?

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