O Teatro Paulo Eiró é um próprio da municipalidade, instalado em uma praça em ponto nobre do bairro de Santo Amaro, inaugurado em 23 de março de 1957, e até os tempos de hoje, ainda é um pólo importante para o meio cultural da cidade, com apresentações de espetáculos de primeira qualidade.<br><br>Passou por inúmeros processos de reformas, para cada vez mais se adequar e modernizar-se ás necessidades de uma casa de entretenimento.<br>O teatro leva este nome para homenagear um dos mais ilustres santamarenses, na área de poesia, literatura, dramaturgia e ensino. <br><br>Outro dia, estava em um jantar de amigos, relembrei alguns acontecimentos do querido Paulo Eiró, e dos vários momentos vividos naquele simpático teatro, e esses amigos me solicitaram que os colocasse em papel tais relatos.<br><br>Parei alguns dias para pensar e foram me surgindo alguns casos, que ora passo a descrever.<br><br>Provavelmente na década de 60, veio uma companhia artística, para se apresentar no Teatro Paulo Eiró em Santo Amaro, com uma peça intitulada "Vida e Morte de Cristo", levada ao publico precisamente nas semanas anteriores e na própria Semana Santa.<br><br>Tinha um diretor e artista cujo primeiro nome Alessandro, que o sobrenome gostaria de não evidenciar, que durante um bom período ensaiava um elenco, que modestamente eu, e alguns amigos ainda crianças, fomos convidados a integrar.<br><br>Como esta companhia não possuía muitos recursos financeiros, foi nos solicitado que contribuíssemos com as vestimentas, e rapidamente, saímos à procura de tecidos, que com ajuda de nossas mães, converteram em túnicas de juta, amarradas na cintura, por um tipo de corda colorida, e nos pés uma sandália romana com tiras entrelaçadas nas canelas.<br><br>Então garbosamente passamos a representar como coadjuvantes, integrantes do povo, dotados de duas brilhantes falas:<br><br>A primeira quando perguntavam ao povo:<br><br>-Verdade falais?<br><br>Então respondíamos:<br><br>- Verdade.<br><br>A segunda quando tínhamos que dar o veredicto, pela condenação de Jesus, quando Pôncio Pilatos (prefeito da Judéia), ao impostar sua voz nos perguntava:<br><br>-Jesus ou a Barrabás?<br><br>E nós depois de um longo ensaio respondíamos:<br><br>"A Barrabás". (ladrão e assassino colocado em julgamento juntamente com Cristo).<br><br>E saíamos do palco, envaidecidos com nossos desempenhos.<br><br>Durante as apresentações oficiais, sucederam fatos, que para um espetáculo sério, o transformavam em passagens hilariantes.<br><br>Em uma das encenações, entrava um de nossos amigos, puxando uma égua, carregando Jesus Cristo, mas incrivelmente, parecendo que de propósito, ao se aproximar do centro do palco, a eguinha fez um trabalhinho completo (número 2), o público não se conteve em gargalhadas, e fez com que de imediato o contra-regra acionasse o fechamento das cortinas. <br><br>Na mesma noite quase ao final do espetáculo, o ator que fazia o papel de Judas, ia para um canto do palco, onde existia uma arvore, ele se enforcaria subindo em um banquinho cuidadosamente disfarçado e ao som de relâmpagos e com a iluminação quase na penumbra para dar uma melhor veracidade, e lá se foi Judas para o enforcamento. Mas quando a coisa tem que dar errado, acabou acontecendo o pior, ao dobrar as pernas para o enforcamento, o banquinho se deslocou caindo, o que fez a cena se tornar real, mais uma vez o contra-regra foi eficiente fechando as cortinas e todos os atores correram para retirar o Judas preso por sua garganta, corda e árvore. Se não fosse pelo corte brusco, talvez a platéia nem se apercebesse do ocorrido, tal foi a realidade apresentada.<br><br>Nas últimas apresentações tudo seria controlado, sem maiores problemas, há não ser o dia em que o diretor-ator Alessandro, que protagonizava o papel de Cristo, devido a sua exaustão e inadequada alimentação durante o período de ensaio e atuações, veio a desmaiar em meio de uma cena na qual carregava a cruz, o que tornou a mesma muito real.<br><br>Isso tudo ocorria por motivo da companhia teatral ser muito amadora, igual a seus atores e figurantes.<br><br>Ao longo dos anos, eles continuaram se apresentando, então mais ensaiados e experientes, e nós acompanhávamos já como assistentes, pois nossa passagem na vida artística não foi bem sucedida, para não dizer desastrosa.<br><br>Existem vários outros casos passados dentro do nosso querido Paulo Eiró, e se os leitores permitirem darei continuidade futuramente.<br><br><br>E-mail: [email protected]